Oposição se articula por anistia após prisão de Bolsonaro

Após a prisão de Bolsonaro por tentar violar a tornozeleira eletrônica no último sábado(22) e a publicação do trânsito em julgado do processo que condenou o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão, a oposição se articula para retomar as discussões de uma anistia para ele.

A PL da Dosimetria como atualmente é chamada está parada na Câmara mesmo com a urgência aprovada há meses, mas sem consenso nem mesmo entre os deputados oposicionistas.

Filho de Bolsonaro afirma ter votos suficientes para aprovação

As discussões da PL da Dosimetria estão paradas, mas a oposição busca transformar ela em anistia a Bolsonaro para pelo menos tentar suavizar um pouco a pena que atualmente está em 27 anos e 3 meses por vários crimes que culminaram na tentativa de golpe de Estado e nos atos golpistas do oito de janeiro de 2023.

Segundo apuração do jornal O Globo, a ideia é que a oposição apresente emendas no projeto que tem como relator o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) para que o ex-presidente possa cumprir apenas seis anos da pena e em regime semi aberto.


Flavio Bolsonaro chora em manifestação pró-Bolsonaro (Vídeo: Reprodução/YouTube/ Metropoles)


Porém, segundo interlocutores da Câmara dos Deputados, o núcleo mais ligado a Bolsonaro segue querendo a anistia ampla e irrestrita ao presidente e a outros condenados pela tentativa de golpe de Estado, mas o tema tem dividido a oposição e faz com que o projeto de lei siga parado na parte das discussões apesar de segundo o senador o projeto já ter votos suficientes para ser aprovado na Câmara dos Deputados.

O senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ), filho do ex-presidente, afirmou nesta semana que a oposição não fará acordo com a dosimetria e sim pela anistia. Além dele, o líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou que esta é a única pauta da oposição desde fevereiro.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que a PL da Dosimetria está amadurecendo, mas que as discussões seguem acaloradas para que cada um dos deputados coloque aquilo que deseja no projeto de lei com o objetivo dele ser o mais completo possível.

Oposição cita perseguição a Bolsonaro em prisão

Enquanto busca pautar a PL da Dosimetria, a oposição segue se manifestando sobre o processo que condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes ligados a tentativa de golpe de Estado.

Deputados oposicionistas classificam a prisão como um atropelo do processo legal e apenas uma forma de tirar Bolsonaro da cena política de forma humilhante, se disfarçando de perseguição política ao ex-presidente e seus aliados.

Já o senador Hamilton Mourão(Republicanos-RS), ex vice-presidente, afirmou que a anistia é necessária e a solução política para esta situação e classificou a prisão de militares no processo como uma infâmia.

Bolsonaro vinha cumprindo prisão domiciliar por conta de uma possível tentativa de fuga descoberta através de um outro inquérito que investiga a atuação do ex presidente e de seu filho e deputado Eduardo Bolsonaro para a aplicação do tarifaço e de sanções a ministros do STF pelo governo dos Estados Unidos.

Neste sábado(22), foi detectada uma tentativa de romper a tornozeleira eletrônica, o que levou a prisão na sede da Polícia Federal em Brasília, onde Bolsonaro está cumprindo a pena.

Base governista se articula para barrar anistia

Ao mesmo tempo que a oposição tenta colocar a PL da Dosimetria em votação, a base governista no Congresso Nacional volta a se articular em prol de barrar o projeto de lei e garantir a manutenção da pena.

Segundos interlocutores, alguns deputados buscam votos do Centrão para tentar barrar a PL e podem inclusive se aproveitar de insatisfações que tem surgido nos últimos dias durante as discussões do projeto.

Além disso, o senador e líder do governo no Congresso Jacques Wagner (PT-BA) afirmou que não há motivo para pautar anistia. Outro líder do governo que se manifestou foi o deputado Lindbergh Farias(PT-RJ) que classificou as discussões sobre anistia como uma loucura e citou as milhões de vítimas da Ditadura Militar que não tiveram direito a um processo legal e nem ver seus algozes condenados por seus crimes.


Ministro José Múcio afirma que prisões encerram ciclo (Vídeo: Reprodução/YouTube/ Record News)


Após a prisão e trânsito em julgado, a base governista celebrou a prisão de Bolsonaro e de outros membros do núcleo principal da trama golpista, classificando o momento como histórico.

O ministro da Defesa José Mucio afirmou em entrevista no Congresso que as prisões encerram um ciclo de impunidade, com os CPFs sendo punidos criminalmente e que as instituições foram de fato preservadas, apesar de um processo doloroso e elogiou o STF por ter atravessado o processo com um grau de responsabilidade enorme.

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