Trump retira tarifas de 40% sobre produtos brasileiros

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (20) a retirada da tarifa de 40% aplicada a determinados produtos agrícolas brasileiros. A mudança, formalizada por meio de decreto, representa uma guinada nas tensões comerciais entre os dois países e ocorre após negociações diplomáticas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os produtos beneficiados estão café, frutas tropicais, suco, cacau e carne bovina.

Motivações e bastidores da decisão

De acordo com o documento oficial da Casa Branca, a revogação das tarifas decorre de um entendimento entre os governos dos EUA e do Brasil. Trump afirmou que a decisão foi tomada após conversas com Lula e baseou-se em recomendações recebidas de autoridades que reconheceram “avanços iniciais nas negociações”. Segundo o decreto, certas importações agrícolas que haviam sido alvo da sobretaxa já não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional de 40%, um movimento apresentado como necessário para lidar com as preocupações comerciais levantadas por ambos os lados.


Donald Trump e Presidente Lula (Foto: reprodução/Andrew Harnik/Getty Images Embed)


Alívio para o agronegócio brasileiro

A decisão de Trump traz alívio para setores estratégicos da economia brasileira. Produtores de café, frutas tropicais e carne bovina, que enfrentaram dificuldades após a imposição das tarifas, veem agora uma oportunidade para retomar o ritmo de exportação para o mercado norte-americano.  A retirada da sobretaxa pode reduzir os custos de exportação e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos, o que pode impulsionar receitas para o agronegócio nacional.

Desafios persistentes e críticas

Apesar do avanço, analistas e entidades do setor apontam que o alívio é apenas parcial. Embora a tarifa adicional de 10% tenha sido retirada de cerca de 200 produtos, a sobretaxa de 40% continua presente sobre itens como café não torrado, carne bovina e frutas, segundo setores industriais brasileiros.  O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, afirmou que a decisão é positiva, mas alertou para “distorções” que ainda prejudicam a competitividade do país, principalmente porque muitos produtos estratégicos permanecem taxados.

Acordo entre EUA e China avança com foco em terras raras e tarifas

Em meio a tensões comerciais persistentes entre as duas maiores economias do mundo, uma luz de entendimento parece surgir. Os Estados Unidos e a China anunciaram que chegaram a um acordo de entendimento que prevê uma pausa nas tarifas dos EUA e no controle de exportação chinês de minerais estrategicamente vitais e as chamadas terras raras.

Principais pontos do acordo

Os Estados Unidos teriam suspendido a ameaça de aplicar tarifas de até 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro, conforme anunciado pelo governo americano. A medida representa um avanço significativo nas negociações entre as duas maiores economias do mundo e busca reduzir as tensões comerciais que vinham se intensificando nos últimos meses.

Em contrapartida, a China concordou em adiar por até um ano o regime de licenciamento que visava restringir a exportação de minerais de terras raras e ímãs magnéticos, insumos essenciais para indústrias de alta tecnologia e defesa. A decisão foi vista como um gesto de cooperação estratégica e uma tentativa de estabilizar o mercado global desses materiais.

Ambos os lados afirmam ter alcançado um “consenso preliminar” e agora aguardam aprovação interna antes de um encontro de alto nível entre o presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, que deverá formalizar o entendimento.

Além disso, outros temas surgiram paralelamente ao acordo, como a retomada de compras chinesas de soja dos Estados Unidos, reajustes em tarifas portuárias e a ampliação do acesso americano a minerais chineses. Esses pontos complementares indicam que as negociações vão além das terras raras, abrangendo também setores estratégicos para o comércio bilateral.

Importância estratégica

As terras raras são elementos fundamentais para diversas tecnologias, desde veículos elétricos ao setor de defesa. A China detém mais de 90% do refino global desses materiais.


Acordo entre EUA e China (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Para os EUA, que buscam reduzir a dependência chinesa e fortalecer cadeias de suprimentos domésticas, esse acordo representa uma transição importante. Já para a China, esse movimento permite gerir as tensões comerciais de forma mais controlada, sem sofrer retaliações imediatas que pudessem afetar a economia ou sua posição estratégica.

O que muda e o que permanece incerto

Entre as mudanças positivas trazidas pelo acordo, destaca-se a redução imediata do risco de choques comerciais. Para as empresas americanas, a suspensão da ameaça de tarifas extremas a curto prazo representa um alívio significativo, já que diminui a incerteza sobre custos e facilita o planejamento de produção e exportação.

As indústrias que dependem de terras raras também se beneficiam com a perspectiva de maior estabilidade na oferta global desses insumos, essenciais para setores como tecnologia, energia e defesa. Além disso, no campo diplomático, o entendimento entre Washington e Pequim contribui para reduzir o risco de uma escalada imediata nas tensões entre as duas principais potências econômicas do planeta.

Por outro lado, persistem importantes incertezas e riscos. O acordo ainda não está concluído, pois depende da reunião entre o presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, além da aprovação interna em ambos os países. A China, por sua vez, mantém postura cautelosa e evita divulgar detalhes do entendimento, o que indica que novos ajustes ou condições podem surgir ao longo das negociações.

Mesmo com a pausa tarifária, as diferenças estruturais nas relações comerciais entre EUA e China, como o déficit comercial, a transferência de tecnologia e as questões de segurança nacional, seguem sem solução imediata. Há também o risco de retrocesso, caso alguma das partes entenda que a outra não está cumprindo os compromissos assumidos, especialmente no sensível setor de minerais estratégicos.

Consequências para o Brasil e para o mundo

Para o Brasil e outros países exportadores, a desaceleração desse foco de tensão entre EUA e China pode significar uma redução das incertezas no comércio global. Por exemplo, se a China retomar compras de soja dos EUA, outros fornecedores como o Brasil podem perder espaço momentaneamente.

No âmbito global, uma relação comercial mais estabilizada entre EUA e China favorece cadeias de suprimento mais previsíveis, especialmente para setores de alta tecnologia.

O que observar nos próximos dias

A data e o local da reunião entre Donald Trump e Xi Jinping serão determinantes para o rumo das negociações. O encontro deve selar a assinatura formal do acordo e definir os próximos passos da cooperação comercial entre Estados Unidos e China, marcando um momento decisivo nas relações entre as duas potências.

Outro ponto que desperta atenção são os detalhes técnicos do regime de terras raras. Ainda não há clareza sobre quais minerais serão incluídos, quais tipos de licenças estarão em vigor e qual será o cronograma de liberação ou de pausa nas restrições. Essas definições serão cruciais para avaliar o real impacto do acordo sobre o mercado global desses recursos estratégicos.

Também permanece em aberto a extensão do pacto, pois ainda não se sabe se a pausa tarifária será apenas temporária ou se o entendimento poderá servir como base para uma relação comercial mais estável e duradoura entre os dois países.

Enquanto isso, o mercado já reage às expectativas. As ações de empresas ligadas aos setores de mineração, tecnologia e commodities agrícolas americanas registraram oscilações após o anúncio preliminar. Mineradoras especializadas em terras raras, por exemplo, apresentaram queda nos preços de suas ações, reflexo da percepção de que uma maior oferta futura e a redução do risco de escassez podem pressionar seus lucros.

Lula convoca segunda reunião ministerial de 2025 e critica tarifaço dos EUA: “Somos um país soberano”

Na manhã desta terça-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou no Palácio do Planalto a segunda reunião ministerial de 2025. O encontro teve como objetivo avaliar as ações do governo e alinhar pautas estratégicas, especialmente diante do cenário internacional marcado pelo anúncio do chamado “tarifaço” pelos Estados Unidos, que prevê sobretaxas de até 50% sobre exportações brasileiras.

O presidente também fez críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao deputado Eduardo Bolsonaro, a quem acusou de atuar contra os interesses do país no exterior. Durante a abertura, Lula destacou que ministros como Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Mauro Vieira estão “24 horas por dia à disposição” para negociações, mas ressaltou que o Brasil não aceitará ser tratado como subordinado em acordos comerciais.

Somos um país soberano, temos uma Constituição, temos uma legislação, quem quiser entrar nesses 8,5 milhões de quilômetros quadrados, no nosso espaço aéreo, no nosso espaço marítimo, nas nossas florestas, têm que prestar contas à nossa Constituição e à nossa legislação“, disse o presidente.

Lula reforçou que o governo está aberto ao diálogo, desde que em condições de igualdade, e citou o impacto econômico que as medidas tarifárias americanas podem trazer ao Brasil.


Ministro Fernando Haddad com o boné "O Brasil é dos brasileiros" (Foto: reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pautas prioritárias

A discussão sobre comércio exterior dominou a reunião, com foco nas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e na resposta do governo brasileiro. Lula reiterou que sua equipe econômica e diplomática está pronta para defender os interesses nacionais em negociações. A orientação dada aos ministros foi de manter firmeza nas tratativas e garantir que o país seja respeitado em qualquer mesa de negociação.

O presidente ainda mencionou conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia e a situação em Gaza, e defendeu que o Brasil mantenha posição clara de defesa da paz e da dignidade humana, afirmando que o conflito na Faixa de Gaza segue resultando em mortes diárias e acusou as forças israelenses de tratarem crianças famintas como se fossem integrantes do Hamas, caracterizando a situação como um genocídio em curso.

Discurso político

O evento também teve forte caráter político. Lula criticou Eduardo Bolsonaro, acusando o deputado de trabalhar contra o Brasil nos Estados Unidos, o que classificou como “uma das maiores traições que uma pátria sofre de filhos seus”.

Além do discurso, símbolos foram utilizados para reforçar a mensagem de soberania: ministros compareceram usando bonés azuis com a frase “O Brasil é dos brasileiros”. No mesmo contexto, Lula direcionou críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e relacionou sua postura à tentativa de enfraquecer a imagem do país.

Governo afirma que não há prazo definido para compras de alimentos com tarifas

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, informou nesta segunda-feira (25) que a aquisição de alimentos, que inicialmente seriam destinados à exportação para os Estados Unidos, ocorrerá por tempo indeterminado. Segundo ele, esses produtos serão redirecionados para abastecer programas governamentais no Brasil, e a medida não possui um prazo específico para encerramento. A declaração foi dada durante conversa com jornalistas.

Resumo da coletiva de imprensa

Teixeira informou que a compra de alimentos que seriam exportados aos Estados Unidos será realizada por tempo indeterminado, seguindo a tabela de preços estabelecida pelos programas governamentais participantes da iniciativa. O ministro destacou que a União, os estados e os municípios não têm condições de pagar valores de exportação fixados em dólar. As aquisições serão financiadas com o orçamento próprio dos programas federais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Compras Institucionais.

A medida faz parte do Plano Brasil Soberano, que permite que entidades públicas comprem alimentos que seriam exportados ao mercado norte-americano para abastecer, por exemplo, a merenda escolar e hospitais públicos. As compras seguirão um procedimento simplificado, com base em média de preços de mercado, garantindo transparência e controle.

A ação visa atender produtores e exportadores brasileiros afetados pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. Para participar, empresas exportadoras devem apresentar uma Declaração de Perda e comprovar exportações realizadas desde janeiro de 2023 por meio do SISCOMEX. Já produtores que vendem a essas empresas devem apresentar uma Autodeclaração de Perda. Para exportadores diretos, os mesmos documentos exigidos às empresas serão requeridos.


Coletiva de imprensa com o Ministro Paulo Teixeira (Vídeo: reprodução/Instagram/@pauloteixeira13)

Lista de produtos elegíveis

  • açaí (fruta, pastas e misturas);
  • água de coco;
  • castanha de caju (frutos secos com ou sem casca, sucos e extratos de origem vegetal);
  • castanha do Brasil (sem casca, em estado fresco ou seco);
  • manga (in natura ou desidratada);
  • uva fresca;
  • pescados (corvina, pargo, tilápia e outros);
  • mel.

A portaria interministerial estabelece que a lista de alimentos poderá ser atualizada futuramente. Entretanto, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), representantes dos setores de carne e café consideram que não há demanda para que esses produtos sejam inseridos no programa de compras públicas do Brasil Soberano.

Brasil fica fora da lista de países que devem pagar caução para visto americano

Governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (5) seu novo projeto-piloto sobre os países selecionados para emissão de vistos B‑1 (negócios) e B‑2 (turismo) com a entrada de um caução até US$ 15 mil, o que equivale a R$ 82 mil.  A medida será tomada para conter o avanço da permanência além do período autorizado. No entanto, o Brasil não está incluído na lista inicial dos países afetados.

Critérios de seleção e países atingidos

Conforme divulgado pelo departamento do estado, apenas Zâmbia e Malaui deverão desembolsar o valor estabelecido pelo consulado no momento da entrevista para o visto. Os valores variam de US$ 5 mil (R$ 27 mil), US$ 10 mil (cerca de R$ 55 mil) ou US$ 15 mil. Espera-se que o valor requerido seja de pelo menos US$ 10 mil, de acordo com o comunicado. Apenas os dois listados tiveram taxas elevadas de permanência irregular dos vistos já mencionados.


Post sobre a divulgação da lista (Foto: reprodução/Instagram/@metropoles)

Condições para devolução da caução

A questão sobre o valor pago é que o caução não garante a emissão de visto, e caso seja realizado o pagamento sem a solicitação não será ressarcido. O valor investido só terá devolução se o solicitante do visto cumprir o prazo de permanência, não utilizar após a data permitida ou tiver a entrada negada nos pontos de entrada autorizados como (Boston, JFK ou Dulles). Ocorrendo a uma violação, como o prazo estendido ou solicitação de asilo, o montante será retido.


Escritório de imigração (Foto: reprodução/RHONA WISE/Getty Images Embed)

Embora o projeto-piloto comece dia 20, ainda há possibilidade de atualização da lista e, caso haja alteração, terá um anúncio de 15 dias antes para promulgação de medida. As informações para dar entrada à solicitação e envio do formulário I-352 do departamento de segurança interno dos EUA, em concordância com os termos da caução, e a realização do pagamento se encontram no site oficial do Departamento de Estado. A vigência do projeto será de 12 meses para levantamento de informações a respeito dos efeitos na população.

Brasil apresenta os riscos das altas taxas de Trump para OMC

A Organização Mundial do Comércio (OMC) receberá do Itamaraty por escrito os argumentos sobre as altas taxas que o presidente americano Donald Trump quer impor ao Brasil. Em um dos trechos do documento, o Itamaraty explicou que a medida de Trump coloca em “sério risco à arquitetura internacional de comércio”, e que ele descumpre obrigações dos Estados Unidos com os acordos da entidade, além de não ter motivos técnicos para essa taxação.

Para os diplomatas brasileiros, usar o sistema da OMC para resolver problemas mostra, para o mundo, que o Brasil está comprometido com o comércio justo entre todos os países.

Pontos Avaliados

O Itamaraty diz que Trump não está cumprindo com o acordo feito com a OMC e que o governo americano está ultrapassando o campo comercial, usando argumentos comerciais inexistentes. Segundo a entidade, isso coloca em riso a economia de ambos os países, além de dificultar as conversas entre os países para chegarem ao acordo.

Essa informação consta de uma nota técnica feita pelo Ministério das Relações Exteriores e será entregue a OMC. A informação foi dada pela CNN.


O Itamaraty se pronuncia sobre o tarifaço (Vídeo: reprodução/Instagram/@itamaratygovbr)

Tarifaço

As novas tarifas devem entrar em vigor nesta quinta-feira (07). Antes seria cobrado 50% de imposto, agora o governo de Trump estipulou novas taxas que vão de 11% a 41%, sendo o Brasil o país dentre os taxados que receberam as maiores alíquotas. Donald Trump alegou que essa taxa foi uma resposta a ações do governo brasileiro por representar uma ameaça a segurança nacional, a economia e a política externa dos Estados Unidos.

Lula sobre as tarifas

O presidente Lula está disposto a negociar sobre as tarifas e que agirá com cautela, falando e fazendo tudo o que for possível, mas sem ultrapassar a diplomacia, respeitando os limites de cada país. Na sexta-feira (01), Trump disse a imprensa que Lula pode ligar para ele quando quiser. Ainda os dois presidentes não conversam sobre o assunto.

Trump diz que Lula “pode ligar quando quiser” sobre tarifas comerciais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que o presidente Lula “pode ligar quando quiser”, ao ser questionado sobre a possibilidade de negociar as tarifas impostas ao Brasil. A declaração ocorreu diante da Casa Branca, após Trump evitar entrar em detalhes sobre as novas taxas comerciais.

Logo depois, ao ser perguntado se haveria pauta específica referente ao Brasil, Trump respondeu: “Vamos ver o que acontece… Eu amo o povo do Brasil”.

Contexto das tarifas e críticas ao governo brasileiro

Mesmo com o tom aparentemente conciliatório, as novas tarifas de até 50 % sobre produtos brasileiros causaram tensão diplomática. A medida, anteriormente programada para entrar em vigor em 1 de agosto, foi postergada para o dia 6 (quarta-feira) e incide sobre setores como aço e alumínio, enquanto minérios, polpa de laranja, castanhas e itens de aviação civil foram excluídos.

Trump reforçou que não detalharia os valores, mas deixou claro seu descontentamento com a conduta brasileira, alegando que “as pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”, fazendo alusão ao processo de julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e as tensões políticas sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.


Declaração de Trump sobre tarifas brasileiras (Vídeo: reprodução/X/@globonews)

Discurso de Trump e posicionamento oficial do Brasil

Em entrevista ao The New York Times na quarta-feira (30), Lula afirmou que, apesar dos esforços, não obteve conversas com autoridades norte-americanas: “Designei meu vice-presidente, meu ministro da Agricultura, meu ministro da Economia para que todos conversem com seus equivalentes nos EUA. Até agora, não foi possível”. Fontes diplomáticas confirmam que os canais com a Casa Branca estavam suspensos desde julho, quando a carta anunciando o “tarifaço” foi enviada.

A declaração de Trump vai em contrapartida aos movimentos norte-americano recentes. Na última quarta-feira (30), os Estados Unidos impuseram sanções ao ministro brasileiro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. As penalidades incluem congelamento de bens, proibição de transações com cidadãos ou empresas dos EUA e bloqueio de cartões de crédito com bandeira americana.

Empresários americanos pedem negociações para evitar tarifa de 50% sobre o Brasil

Na manhã desta terça-feira (15), a U.S. Chamber of Commerce, a maior entidade empresarial dos EUA, e a Amcham Brasil lançaram um apelo conjunto para que os governos de Donald Trump e Lula entrem em negociações de “alto nível” visando barrar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, conforme anunciado pelo presidente americano. As câmaras alertam que a medida coloca em risco uma das principais parcerias comerciais das Américas e pode gerar efeitos nocivos tanto para empresas quanto consumidores dos EUA.

Segundo a nota, a tarificação atingiria insumos essenciais para cadeias produtivas nos EUA e elevaria custos familiares e industriais. Estima-se que mais de 6.500 pequenas empresas americanas dependem de importações do Brasil, enquanto cerca de 3.900 companhias dos EUA investem no país. O Brasil, por sua vez, é um dos dez maiores destinos das exportações americanas, com aproximadamente US$ 60 bilhões anuais em bens e serviços.

A US Chamber e a Amcham Brasil solicitam aos governos americano e brasileiro a se engajarem em negociações de alto nível para evitar a implementação de tarifas prejudiciais. A imposição de tais medidas, em resposta a tensões políticas mais amplas, corre o risco de causar danos reais a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos e estabelece um precedente preocupante“, afirmou a instituição em nota.

Impactos previstos nos EUA e no comércio bilateral

A imposição de 50% de tarifa não apenas elevaria o preço de produtos brasileiros nos EUA, mas também comprometeria a competitividade de setores estratégicos norte-americanos que dependem de insumos do Brasil. As entidades chamam a atenção para o risco de que a medida imponha custos extras às famílias e acelere uma escalada de retaliações comerciais entre os dois países.


Donald Trump (Foto: reprodução/Chip Somodevilla/Getty Images Embed)

Além disso, ressaltam que uma relação comercial estável e previsível é fundamental para preservar empregos e manter o crescimento econômico em ambos os lados. A U.S. Chamber e a Amcham Brasil disseram se colocar “à disposição para apoiar iniciativas de negociação pragmática que evitem a escalada tarifária” e que mantenham uma dinâmica bilateral e benéfica a longo prazo para ambos os países.

Perspectivas de negociação e ajustes tarifários

As entidades recomendam estabelecer um canal direto entre os governos para negociar condições e definir formas de ajustar ou até cancelar a tarifa. Segundo a nota, isso precisa envolver elementos técnicos e políticos em alta instância. A proposta é que se evite a decisão unilateral, que fracasse em atingir o propósito dos EUA e prejudique a economia bilateral.

Paralelamente, o setor produtivo considera a possibilidade de solicitar ao governo brasileiro que intervenha junto à OMC ou aplique mecanismos de reciprocidade já previstos em lei. Enquanto isso, fontes no governo de Brasília indicam que há disposição para discutir prazos e condições, na tentativa de evitar que a tarifa entre em vigor no dia 1º de agosto.

Trump impõe prazo de 50 dias para Rússia fechar trégua na Ucrânia ou enfrentará tarifa de 100%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou nesta segunda-feira (14) um ultimato à Rússia: o país deve fechar um acordo de paz na Ucrânia em até 50 dias ou será alvo de tarifas de 100%, aplicadas de forma direta às exportações russas e de maneira secundária a países que continuarem a comercializar com Moscou.

Ao lado do secretário‑geral da OTAN, Mark Rutte, na Casa Branca, Trump também anunciou o envio de sistemas de defesa antiaérea Patriot à Ucrânia, equipamentos que serão comprados pelos aliados europeus e repassados ao governo de Volodymyr Zelenskiy.


Mark Rutte e Donald Trump (Foto: reprodução/Kevin Dietsch/Getty Images Embed)

Autoridades russas reagiram imediatamente ao ultimato. O vice‑ministro Serguéi Riabkov classificou a estratégia dos EUA como “inaceitável” e afirmou que Moscou não vai negociar sob coerção, mantendo sua operação militar caso Kiev não ofereça estímulos concretos. Já o ex-presidente Dmitri Medvedev ridicularizou o anúncio, chamando-o de “ultimato teatral”, e enfatizou que a Rússia não se importa com ameaças de terceiros.

Detalhes da ameaça tarifária

As tarifas secundárias de 100%, além de incidirem diretamente sobre os produtos russos, essas sanções também atingirão quem mantiver comércio com a Rússia, incluindo compradores de petróleo, fertilizantes e tecnologia. Embora o comércio bilateral entre EUA e Rússia seja restrito, o risco recai sobre parceiros comerciais de Moscou, como China, Índia, Turquia e até o Brasil.

Trump anunciou a entrega de mísseis antiaéreos Patriot à Ucrânia, com financiamento dos aliados europeus da OTAN, após acordos firmados na visita oficial de Rutte. A medida, junto a sanções econômicas rigorosas e apoio militar defensivo, tem como objetivo forçar Moscou a firmar um cessar‑fogo antes do prazo estipulado.

Reação Russa

A postura de Trump sinaliza uma guinada mais contundente em relação à Rússia, indo, em contrapartida, do discurso anterior de aproximação com Putin. Nas últimas semanas, Trump pressionou por resultados concretos, dizendo que depois de repetidas conversas telefônicas, seguidas de novos ataques russos, ficou claro que “fala não significa nada”. Já do lado russo, o Kremlin afirmou que analisará a ameaça com “seriedade”, mas não revelou resposta oficial, enquanto Riabkov deixou claro que não vai ceder sob pressão

Crise com Trump não impede Gonet de concluir parecer por condenação de Bolsonaro

A finalização do parecer pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro ocorre em plena turbulência diplomática, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, em retaliação ao processo penal em curso contra o ex-chefe de Estado. Apesar do cenário externo adverso, fontes da PGR afirmam que o parecer, que pode solicitar penas de 20 a 30 anos de prisão, será apresentado com independência entre os dias 11 e 14 de julho, preservando os prazos legais e deixando claro que interferências políticas externas não afetarão o curso da ação penal. A PGR afirma que a crise diplomática não influenciará a recomendação jurídica.

A crise diplomática e o parecer de Gonet

Conforme noticiado pelo Diário do Centro do Mundo, Gonet deve entregar nas próximas horas seu parecer ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação no Supremo Tribunal Federal, dentro do prazo final de 14 de julho. A conclusão coincide com a imposição das tarifas de 50% pelos EUA, anunciadas de forma pública por Trump e consideradas retaliações diretas ao processo em que Bolsonaro é réu por suposta tentativa de golpe de Estado.


Paulo Gonet e Ministro Alexandre de Morais no STF sobre trama golpista de Bolsonaro 
(Foto: Reprodução/Mateus Bonomi/Getty Images Embed)

Apesar da tensão internacional, fontes internas da PGR garantem que a atuação do procurador seguirá com firmeza. Uma figura próxima ao gabinete declarou: “Essa verborragia do Trump precisa ser solenemente desprezada” — em referência à tentativa de interferência diplomática no andamento do caso.

Expectativa de penas e independência jurídica

Analistas que acompanham os desdobramentos indicam que o parecer será rigoroso e poderá recomendar uma pena entre 20 e 30 anos de prisão ao ex-presidente Bolsonaro, considerado líder de uma organização criminosa envolvida com a trama golpista. Segundo advogados ouvidos pela imprensa, o julgamento do chamado “núcleo 1” deve ocorrer na Primeira Turma do STF até setembro.

A coluna Farol da Bahia destaca que, mesmo com a elevada pressão da crise externa, não há indício de que o procurador aceitará recuar ou adiar suas conclusões no documento final.