Kim Kardashian: a metamorfose fashion de um ícone contemporâneo

De símbolo da cultura pop a referência da alta moda, Kim Kardashian construiu, ao longo de quase duas décadas, uma das trajetórias mais expressivas do universo fashion. Sua relação com a moda evoluiu de um estilo básico e sensual para um diálogo sofisticado entre passado, poder e reinvenção estética. Hoje, aos 45 anos, a empresária se consolida não apenas como influenciadora de tendências, mas como colecionadora de raridades e intérprete da história da alta-costura sob um olhar contemporâneo.

Nos últimos anos, Kim vem revisitando o próprio arquivo e o de grandes maisons, costurando uma narrativa que mistura fetiche, memória e autoria. As colaborações recentes com a stylist escocesa Soki Mak revelam esse novo momento: looks de Dilara Findikoglu, Dior por Galliano e Givenchy por McQueen traçam uma ponte entre a ousadia que a consagrou e a maturidade criativa que agora define sua imagem.

Entre o passado e o poder da imagem

De Los Angeles a Paris, a nova era de Kim tem sido marcada pela fusão entre arquivo e contemporaneidade. Vestidos históricos, como o Dior azul-gelo da coleção primavera 2000, e o corset dourado da Givenchy de 1997, reafirmam sua habilidade de transformar peças de museu em discursos de moda atuais. Em Londres, o couro e o vinil de Dilara Findikoglu expressaram uma sensualidade menos óbvia — um jogo entre força e vulnerabilidade.


Kim durante a semana final de outubro de 2025 (Foto: reprodução/Instagram/@kimkardashian)


Essas escolhas reafirmam o domínio que Kim exerce sobre o próprio corpo e sua imagem pública. Ao ressignificar elementos antes vistos como aprisionadores, como o corset, ela transforma o fetiche em símbolo de controle e poder feminino.

Do anonimato ao altar da alta-costura

Quando “Keeping Up With the Kardashians” estreou em 2007, o nome Kardashian ainda era sinônimo de curiosidade. Hoje, é sinônimo de influência. Kim atravessou fases marcadas por transformações profundas — da parceria estética com Kanye West, que a introduziu ao universo da Balmain e da Givenchy, ao flerte com o anonimato conceitual de Demna Gvasalia na Balenciaga, quando desafiou a própria ideia de visibilidade ao surgir completamente coberta no Met Gala 2021.


Kim Kardashian e Kanye west com o icônico visual Balenciaga no Met Gala 2021 (Foto: reprodução/Instagram/@firsttimesworldwide)


Cada fase é um capítulo da moda recente. Em 2019, vestiu Thierry Mugler e reviveu o desejo pelo vintage couture; em 2023, brilhou em um Schiaparelli coberto por 66 mil pérolas; em 2025, desfilou um conjunto de couro de crocodilo da Chrome Hearts. Cada aparição é estudada, calculada e, sobretudo, simbólica — uma performance de poder e domínio da própria imagem.


Kim usando Schiaparelli coberto por 66 mil pérolas em 2025 (Foto: reprodução/Instagram/@zorinstv)


Mais do que musa, Kim Kardashian tornou-se uma editora de si mesma. Entre corsets, capas e transparências, constrói uma narrativa que traduz a moda como espelho da identidade: mutável, provocadora e sempre em movimento.

Schiaparelli primavera/verão 2026: Daniel Rosberry celebra legado da maison

Talvez um dos desfiles mais aguardados da Paris Fashion Week, a Schiaparelli subiu ontem nas passarelas, no Centro George Pompidou, que abriga o Museu Nacional de Arte Moderna e uma biblioteca pública. A escolha do local, casou com a coleção ‘Dance in the Dark’, que apresentou peças de alfaiataria, poás e silhuetas marcantes. Foi neste mesmo local, que Rosberry viu uma exposição do escultor romeno Constantin Brancusi, que serviu de inspiração para a coleção prêt-à-porter.

Reforço do legado com toque moderno

A abertura do desfile apresentou um par de terninhos e saia, trazendo a modernidade e a alfaiataria para o catwalk. Além disso, a coleção também apresentou vestidos com recortes modernos. Os vestidos também foram um show a parte. Com recortes modernos e um “quê” de alta costura, Rosberry mostrou que a coleção prêt-à-porter veio para ficar na maison. Os vestidos longos, mostraram um lado mais surreal, com estrutura e detalhes diferenciados.


Desfile primavera/verão 2026 da Schiaparelli (Vídeo: reprodução/Instagram/@schiaparelli)

Rosberry também homenageou a fundadora da maison, Elsa Schiaparelli, através de vestidos com pequenos rasgos. A peça, teve como inspiração, um vestido criado por Elsa Schiaparelli e Salvador Dalí. Também fez parte da coleção, peças com transparências em lugares estratégicos, trazendo um toque sensual. Já o romance, ficou por conta de modelos com poá e bolinhas. Kendall Jenner desfilou com um modelo transparente, com detalhes de bolinhas e uma luva combinando.

Valorização do prêt-a-porter

Daniel Rosberry assumiu a direção criativa da Schiaparelli em 2019, porém, foi apenas em 2023 que a maison passou a fazer peças prêt-à-porter. “No início havia muita discussão interna aqui de que o prêt-à-porter parecia muito com alta-costura, mas agora a situação se inverteu. O que antes parecia um obstáculo, agora se torna um superpoder quando se trata do desempenho das roupas com os clientes.”, disse Daniel em entrevista para Vogue. O estilista também reforçou que sua intenção, desde 2023, sempre foi valorizar o prêt-à-porter, para que ele tivesse espaço na casa.

Ainda, em entrevista para a revista Milano Finanza, o diretor criativo reforçou a importância de peças prêt-à-porter, dizendo que elas agregaram ainda mais valor à marca, que antes trabalhava apenas com Haute Couture. Com mais um desfile, Rosberry mostra um dos motivos por estar à frente da maison, mostrando o brilho da Schiaparelli e adicionando um toque pessoal em seu legado na história da moda.

Silvia Braz faz sua estreia em Schiaparelli na PFW

A comunicadora Silvia Braz foi a brasileira mais aguardada no desfile da Schiaparelli durante a semana de moda de Paris. Da primeira fila, acompanhou de perto a coleção SS26 criada por Daniel Roseberry, que mais uma vez reafirmou a essência surrealista e ousada da maison. Intitulada “Dancer in the Dark”, a apresentação trouxe Kendall Jenner na passarela e apostou na fusão entre peças técnicas e um surrealismo descontraído — com destaque para os acessórios que remetiam a relógios derretidos de Dalí. Diante de uma plateia estrelada, que reuniu nomes como Rosalía e Kylie Jenner, a Schiaparelli consolidou mais uma vez seu posto de queridinha da temporada parisiense.

Museu britânico exibe exposição em homenagem à Elsa Schiaparelli

O museu Victoria and Albert Museum, de Londres, anunciou a exposição “Schiaparelli: Moda se Torna Arte”, em tradução livre, que vai narrar a história da maison italiana durante seu período comandado pela fundadora Elsa Schiaparelli até os dias atuais, com a marca sob a direção criativa do americano Daniel Roseberry.

Com previsão de início para o dia 21 de março, a mostra fica em exibição até o dia 1 de novembro. A venda dos ingressos começa ainda em 2025, no mês de outubro.

A exposição é dedicada a Elsa Schiaparelli e sua arte desde a década de 1920. Segundo a instituição, mais de 200 objetos, como vestuário, joias, acessórios, fotografias, pinturas, perfumes, arquivos e até móveis, farão parte do acervo disponível.

Vanguarda

Os primeiros anos da grife foram marcados pelo surrealismo e parcerias icônicas promovidas por Elsa Schiaparelli. Uma das mais lembradas é a amizade – que pulou para os looks – surrealista com o pintor espanhol Salvador Dalí. O resultado foram obras absurdas que desafiavam o que era considerado belo na época.

Entre eles estão o vestido lagosta e o vestido lágrimas, este que possui véu e diversos materiais não tradicionais na composição, e outros acessórios emblemáticos, como o chapéu em forma de salto alto.

Porém, a estilista italiana não se contentou com a moda e também alterou o curso da perfumaria. Em 1937, ela criou o perfume Shocking, com a embalagem inspirada no corpo da atriz americana Mae West. O diferencial é que na propaganda do produto, uma nova cor surgia: o rosa-choque, criado por Schiaparelli. Para obter o tom forte, ela misturou magenta, vermelho e branco.

Desde então, o rosa-choque não saiu dos olhos do mundo, seja na famosa boneca Barbie ou na clássica comédia romântica dos anos 1980, “A Garota de Rosa-Shocking”.


Veja looks icônicos da grife (Foto: reprodução/Instagram/@vamuseum)

A marca

A Schiaparelli foi fundada em 1927 e no começo se concentrava na confecção de suéteres. Conforme a empresa foi atingindo capital comercial e uma quantidade considerável de funcionários foi contratada, Elsa Schiaparelli começou a arriscar e lançou modelos surrealistas já no começo da década de 1930, em parceria com o artista Jean Cocteau.

Ao longo da trajetória da casa de moda, o absurdo sempre se fez presente, até mesmo após a morte da sua criadora, em 1973. Atualmente, a marca está sob domínio de Diego Della Valle, que a adquiriu em 2007. A primeira coleção neste período foi conduzida pelo francês Christian Lacroix, em 2013.

Atualmente, o diretor criativo Daniel Roseberry segue com os looks extravagantes. Celebridades e grandes nomes da indústria surgem em tapetes vermelhos usando roupas da marca, como Dua Lipa, Miley Cyrus e a atriz Hunter Schafer.

Lábios preto vinil dominam produções de beleza do desfile da Schiaparelli

Aconteceu ontem (07) o primeiro dia dos desfiles da Semana Haute Couture em Paris, com peças das coleções de primavera. Como de costume, a Schiaparelli abriu os desfiles, com a coleção “Back to the Future”. Com o preto dominando a paleta de cores das peças, Daniel Roseberry se inspirou em peças de Elsa Schiaparelli, fazendo uma viagem no tempo. Além das peças, a produção de beleza também chamou a atenção.

Preto domina as produções de beleza de Schiaparelli

Se a paleta dominante foi o preto – com alguns pontos estratégicos em prata, vermelho e branco -, a produção de beleza seguiu pelo mesmo caminho. Com a sombra nos olhos em um tom mais neutro, o destaque ficou nos lábios. As modelos presentes no desfile tiveram uma produção com os lábios pretos, mas que não foi feita com batom.

Pat McGratheal foi a beauty artist responsável pela produção de maquiagem. “Eu queria dar um toque realmente moderno, por isso optei pelo poder dos lábios. A ideia era explorar os contrastes.”, disse Pat nos bastidores do desfile. Ainda, segundo Pat, os lábios pretos foram feitos não com batom, mas com lápis de olho e um acabamento com gloss para algumas modelos, enquanto outras modelos ficaram com um preto mate.


Desfile da Schiaparelli na Semana Haute Couture de Paris (Vídeo: reprodução/Instagram/@schiaparelli)

Além disso, o coque polido também chamou atenção. A produção dos cabelos ficou por conta do hairstylist Guido Palau. Para a Vogue britânica, o hairstylist explicou que a ideia era trazer um coque alto, mostrando a elegância e sofisticação do penteado, alongando o formato da cabeça. Isso trouxe o tema de um aspecto mais futurista, combinando com as peças e harmonizando com a maquiagem.

Sobre a Schiaparelli

Antes de abrir sua marca homônima, Elsa Schiaparelli se formou em Filosofia, em Roma. Quando se mudou para Nova York, passou a se envolver e se interessar pelo Dadaísmo e Surrealismo. Em 1922 se mudou para Paris e abriu uma linha de malhas. Foi apenas em 1927 que Elsa lançou o icônico bow-sweater. A partir daí, expandiu os negócios. O seu interesse no Surrealismo rendeu uma parceria com Salvador Dalí.

Desde 2019 Daniel Roseberry é o diretor criativo da Schiaparelli, sendo o primeiro americano a liderar uma maison francesa de Alta-Costura. Nos desfiles, Daniel busca homenagear os designs de Elsa. Daniel também foi o responsável por introduzir as coleções ready-to-wear na grife francesa, elevando ainda mais o status da maison, mas preservando a história de Elsa.

Coleção Schiaparelli “Back to the Future” une estilos do passado ao futuro 

A coleção da Schiaparelli batizada de “Back to the Future”, é um testemunho da genialidade de Daniel Roseberry em reinterpretar o legado da maison. Apresentada nesta segunda (7), no histórico Petit Palais em Paris, a coleção, embora não remeta diretamente ao filme homônimo, mergulha em uma “viagem no tempo” conceitual.

“Sci-chic”: glamour vintage e elementos futuristas

Roseberry transportou a audiência para junho de 1940, quando Elsa Schiaparelli partiu de uma Paris em guerra para Nova York, misturando essa resiliência histórica com um futuro de estética tecnológica óbvia.

A paleta de cores dominante é preto, com toques de branco, vermelho intenso e prata, evocando uma sensação de “Polaroid antiga”. As silhuetas remetem aos anos 1940, com bainhas curtas e fluidas, e também incorporam a opulência dos anos 80 em ombros exagerados e ternos acolchoados.



Coleção "Back to the Future" de Daniel Roseberry para Schiaparelli reinterpreta o legado da grife unindo elementos surrealistas e futuristas (Víde: reprodução/Instagram/@schiaparelli)

O surrealismo reinventado

O surrealismo, que é a alma da Schiaparelli, foi reinventado. Daniel Roseberry mergulhou nos arquivos da maison para trazer códigos icônicos inspirados nas colaborações de Elsa com Salvador Dalí. Um dos grandes destaques é o vestido com o “coração pulsante” nas costas, baseado em uma obra de Dalí de 1953, que parece imitar um coração real com pulsações mecânicas. Outra peça hipnotizante é um vestido escultural vermelho que cria uma ilusão de ótica de que a modelo está andando de costas.



“O coração pulsante da alta-escultura” por Daniel Roseberry (Vídeo: reprodução/Instagram/@danielroseberry)

A capa “Apollo of Versailles” de 1938 foi reimaginada com explosões metálicas que remetem a galáxias e constelações. A ausência de corsets rígidos, uma marca de coleções anteriores de Roseberry, permite uma fluidez e liberdade maiores, refletindo uma evolução no estilo do designer. Os acessórios, como brincos descoordenados em latão martelado e sandálias com bordados de fita métrica metálica, adicionam um toque final à estética surreal e luxuosa.




Schiaparelli, inverno 2025 alta-costura/Capa da coleção Zodiac do inverno de 1938-39 está no The Metropolitan Museum of Art em NY/Elsie de Wolfen na década de 1930 usando a capa "Apollo of Versailles" (Foto: reprodução/schiaparelli)

A apresentação no número 21 da Place Vendôme, onde Elsa Schiaparelli fundou seu ateliê, solidificou a conexão da coleção com a rica história da casa de moda. A presença de celebridades como Dua Lipa e Cardi B na primeira fila sublinhou o impacto e a relevância cultural desta coleção que, sem dúvida, deixará sua marca na história da alta-costura.