Moraes informa inelegibilidade de Bolsonaro até 2060

Nesta terça-feira (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou ofício ao Tribunal Superior Eleitoral comunicando que Jair Bolsonaro está inelegível, em consequência da condenação definitiva a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento em uma trama golpista. A determinação oficializa os efeitos da sentença e estende a inelegibilidade do ex-presidente por 35 anos após o cumprimento da pena, conforme previsto na legislação eleitoral.

Motivo da inelegibilidade

A inelegibilidade máxima decorre da condenação criminal imposto a Bolsonaro e a outros réus considerados parte do “núcleo 1” da trama investigada pelo STF. A decisão do tribunal define que, por se tratar de condenação colegiada e transitada em julgado, a punição também implica perda dos direitos políticos. Com a execução da pena e o envio do ofício ao TSE, torna-se impossível a candidatura de Bolsonaro a cargos eletivos até 2060.

Além disso, essa nova inelegibilidade soma-se a outra anterior imposta pelo próprio TSE, relacionada a condenações por abuso de poder político e econômico em processos eleitorais, o que já o impedia de disputar até 2030.


Alexandre de Moraes (Foto: reprodução/EVARISTO SA/Getty Images Embed)


Consequências institucionais e eleitorais

Com o ofício enviado, o TSE deverá registrar nos seus sistemas a inelegibilidade de Bolsonaro, o que impede formalmente qualquer tentativa de registro de candidatura. A medida tem efeito imediato e alcança também qualquer cargo eletivo, local ou nacional, o que muda radicalmente o cenário para as próximas eleições.

Para analistas políticos e jurídicos, a comunicação oficial da inelegibilidade representa uma reafirmação da jurisprudência eleitoral e um recado claro sobre os limites ao exercício da política após condenações graves. A decisão consolida o entendimento de que crimes contra a ordem democrática não são compatíveis com a participação em pleitos eleitorais.

Reações e próximos passos

Até o momento, não houve manifestação pública oficial da defesa do ex-presidente sobre o novo bloqueio eleitoral. No entanto, existe a expectativa de que aliados considerem recursos jurídicos buscando reverter ou questionar os efeitos da sentença, embora, segundo especialistas, a chance de sucesso seja reduzida diante da condenação definitiva e dos trâmites legais já concluídos.

O envio do ofício ao TSE também coloca em xeque eventuais estratégias eleitorais que poderiam contar com Bolsonaro como candidato ou figura de influência. Agora, partidos e políticos de oposição e da base terão que recalcular cenários e considerar novas lideranças para 2026. A indefinição política pode alterar alianças e reconfigurar estratégias de campanha num curto espaço de tempo.

Moraes define onde membros do “núcleo crucial” ficarão presos

O ministro Alexandre de Moraes definiu nesta terça (25), no STF, onde cada um dos integrantes do “núcleo crucial” da trama golpista deverá cumprir suas penas. Os endereços concluem a tramitação das ações, dando por encerrado o processo. Bolsonaro seguirá na superintendência da PF.

A decisão de Moraes veio logo após o STF dar por concluído o processo contra os réus. O prazo para o envio de novos embargos pelos advogados de defesa encerrou ontem e assim o STF estava liberado para dar seguimento às condenações.

Onde cada condenado irá ficar

Para o cumprimento das prisões, foram escolhidos cinco lugares entre Brasília e Rio de Janeiro.

Jair Bolsonaro permanece na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde já está desde o último sábado (22) e sua pena foi de 27 anos e três meses em regime fechado. Ele está em um quarto com ar-condicionado, televisão, tem recebido visitas e possui atendimento médico 24 horas.

Anderson Torres irá para Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O ex-secretário de Segurança Pública vai cumprir seus 24 anos de prisão no 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, teve sua pena de 19 anos de prisão e Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, foi condenado a 21 anos de prisão. Os dois irão para o Comando Militar do Planalto, em Brasília.

Almir Garnier Santos ficará preso na Estação Rádio da Marinha em Brasília. A pena do ex-comandante da Marinha foi de 24 anos de prisão. O local onde cumprirá sua pena pode mudar caso o STF decida votar pela cassação da sua patente.

Já Walter Souza Braga Netto foi o único que ficará fora da capital do país. Ele está preso desde 14 de dezembro de 2024, por tentar atrapalhar as investigações, na 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar, no Rio de Janeiro, onde permanecerá cumprindo sua pena de 26 anos.

No caso do deputado Alexandre Ramagem Rodrigues, Moraes não definiu um local para o cumprimento, pois o réu está foragido em Miami. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias, além da perda de seu mandato parlamentar. Seu nome também foi incluído no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões.


Mauro Cid, delator do processo, está preso desde começo do mês (Foto: Reprodução/Anadolu/ Getty Images Embed)


Benefício da delação

O tenente-coronel Mauro Cid, também foi condenado como parte do núcleo crucial. Mas, ao fazer sua delação premiada, recebeu uma pena menor: dois anos em regime aberto. A defesa de Cid não recorreu da sentença e ele começou a cumprir sua pena no começo do mês em Brasília. O tenente-coronel não pode sair do país, nem ter contato com os outros envolvidos no processo e precisa ficar em casa das 20 h às 6h.

Todos os condenados ainda vão passar nesta semana por uma audiência de custódia para avaliar a legalidade da prisão e conferir se os direitos fundamentais e sua integridade física e psicológica foram respeitados.

Deputado Sóstenes diz que denunciará Moraes em embaixadas após prisão de Bolsonaro

Nesta segunda-feira (24), o deputado federal e líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, anunciou que fará denuncias em embaixadas e organismos internacionais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, por conta da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No último sábado (22), Bolsonaro, a pedido da Polícia Federal, teve a prisão domiciliar convertida para o regime fechado após o órgão entender que houve risco de fuga do ex-presidente, em razão de uma tentativa de violação da sua tornozeleira eletrônica.

Críticas a Moraes

Em entrevista concedida à CNN Brasil nesta segunda-feira, o deputado federal, Sóstenes Cavalcante, afirmou que tomará medidas para expor a “perseguição política e religiosa” do ministro Alexandre de Moraes ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar citou as Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) como órgãos que pretende levar sua mensagem de indignação contra a prisão do ex-presidente, solicitada pela Polícia Federal e decretada por Moraes, no último sábado.

Cavalcante aproveitou a entrevista para tecer críticas a Alexandre de Moraes. Para o líder do PL na Câmara dos Deputados, a democracia no Brasil está em xeque por conta dos desrespeitos constitucionais praticados pelo magistrado, que segundo o deputado, é um psicopata em alto grau.


Apoiadores de Bolsonaro se manifestam em frente à sede da Polícia Federal  (Foto: reprodução/Evaristo Sa/AFP/Getty Images Embed)


Prisão por violação

No último sábado, a Polícia Federal solicitou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro. O ex-presidente estava em prisão domiciliar desde o último dia 4 de agosto após decreto do ministro Alexandre de Moraes. Naquela ocasião, o magistrado entendeu que o político violou medidas cautelares em meio à investigação da tentativa de golpe de Estado que estava em curso. Desde então, Bolsonaro ficou impossibilitado de deixar a sua residência, em Brasília, e passou a utilizar uma tornozeleira eletrônica.

Com o fim das investigações da trama golpista, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado por crimes contra o Estado democrático de direito. Entretanto, o ex-presidente ainda se mantinha em sua casa, à espera da análise dos recursos apresentados por sua defesa ao STF para começar a cumprir, ou não, a sua pena.

No último fim de semana, entretanto, Moraes recebeu um aviso do Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal que Bolsonaro, à 0h08 (horário de Brasília), havia tentado violar a tornozeleira eletrônica que estava portando. Uma vigília convocada pelo senador e filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em frente à casa do ex-chefe de Estado seria uma estratégia para uma eventual fuga de Bolsonaro.

STF mantém prisão preventiva de Jair Bolsonaro

Nesta segunda-feira (24), a Primeira Turma do STF, composta por Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, votou de forma unanime , junto com a decisão de Alexandre de Moraes, a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso desde sábado (22). Anteriormente, Bolsonaro estava em prisão domiciliar.

Motivo da prisão

A prisão foi decretada após Bolsonaro ser flagrado tentando violar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. Ele está detido desde sábado (22) em uma sala da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Em sua defesa, Bolsonaro afirmou que o episódio teria sido resultado de um surto desencadeado por medicação, mencionando “paranoia” causada por remédios.

Segundo Moraes, a decisão de migrar Bolsonaro para a prisão preventiva se justifica pelo risco de fuga e pela mobilização de apoiadores. Ele citou uma vigília convocada por Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, em frente ao local onde Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, o que, na visão do ministro, configurou uma ameaça à ordem pública.


Jair Bolsonaro (Foto: reprodução/EVARISTO SA/Getty Images Embed)


Risco aos moradores

Flávio Dino acrescentou que a manifestação representava risco para os moradores da região, dada a densidade da área. Ele também mencionou tentativas anteriores de fuga por pessoas ligadas a Bolsonaro, reforçando o argumento de que há um “ecossistema criminoso” associado ao entorno do ex-presidente.

Como foi a votação

A sessão de votação foi realizado de forma virtual: cada ministro registrou seu voto por meio eletrônico, sem a necessidade de presença física. A ministra Cármen Lúcia foi a última a se posicionar, mesmo tendo até o fim do dia para registrar seu voto.

Com três ministros favoráveis, a medida de prisão preventiva permanece vigente. A decisão abre caminho para que Bolsonaro comece a cumprir pena, após já ter sido condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado e outros crimes graves por 27 anos  e 3 meses de prisão.

Moraes permite visitas médicas a Bolsonaro sem prévia autorização

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu que os médicos de Jair Bolsonaro podem continuar o visitando sem precisar solicitar autorização antes, mesmo agora que ele está preso na sede da Polícia Federal em Brasília. A regra havia sido imposta por Moraes após a prisão do ex-presidente.

Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã de sábado (22), sendo levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por apresentar risco de fuga, além de ter violado a tornozeleira eletrônica.

No mesmo dia, foi realizada uma audiência de custódia, que manteve a prisão preventiva de Bolsonaro, que alegou que teve uma “certa paranoia” no final de semana, causado por medicamentos receitados por médicos diferentes e por não conseguir dormir direito. Segundo ele, esses fatores levaram a violar a tornozeleira com ferro de solda.

Visita médica é autorizada

Na decisão, o ministro disse que irá manter as visitas médicas, sem necessidade de autorização judicial, e que o tratamento médico será disponibilizado em tempo integral, no regime de plantão.


Bolsonaro recebe visita médica na PF (Vídeo: reprodução/YouTube/Jovem Pan News)


Para conseguir um atendimento médico emergencial, Moraes apontou um protocolo especial que deverá ser seguido: se houver algum problema de saúde, o médico-chefe da PF será acionado. Em emergências, o Samu deverá ser chamado.

Bolsonaro continuará tomando os remédios prescritos pela médica responsável, Marina Grazziotin Pasolini; a equipe médica autorizada terá acesso direto para acompanhar sua saúde e receber informações sobre qualquer mudança ou necessidade.

Moraes autoriza visita de filhos de Bolsonaro

Além de visitas médicas, Alexandre de Moraes autorizou a visita de três filhos de Bolsonaro (Flávio, Carlos e Jair Renan). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) vão visitar o pai nesta terça-feira (25), das 9h às 11h, mas em horários diferentes. Já o filho e vereador de Balneário Camboriú, Jair Renan (PL-SC), visitará na quinta-feira (27). Cada visita tem a duração de até 30 minutos.

Na tarde de domingo (23), o ex-presidente recebeu a visita da esposa e ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ela chegou a PF às 15h e saiu por volta de 16h50. A visita foi autorizada, com o prazo máximo até 17h.

Advogados de Bolsonaro tentam reverter prisão preventiva decretada por Moraes

A defesa de Jair Bolsonaro afirmou neste sábado que não esperava essa decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a prisão preventiva do ex-presidente em sua casa, em Brasília, alegando riscos à ordem pública e tentativa de violar sua tornozeleira eletrônica.

Defesa de Jair Bolsonaro age com surpresa com prisão

A equipe jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou neste sábado (22) que recebeu com indignação a ordem de prisão preventiva expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente foi levado pela polícia em sua residência, em Brasília, por volta das 6h, horário de Brasília.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro emitiu uma nota pública expressando-se sobre essa decisão judicial que converteu sua prisão domiciliar em preventiva neste sábado. Os advogados Celso Vilardi e Paulo Amador da Cunha Bueno criticaram veementemente a medida, alegando que ela se baseia em um evento de natureza religiosa uma “vigília de orações” e que a manutenção do ex-presidente na prisão representa um risco iminente à sua saúde, já considerada delicada.

O cerne da contestação jurídica reside no motivo que, segundo a defesa, fundamentou a ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A representação policial que deu origem à conversão da prisão domiciliar para preventiva teria como pano de fundo a convocação de uma vigília de orações nas proximidades da residência do ex-presidente.


Jair Bolsonaro compara seu governo ao atual do Brasil(Foto: reprodução/ Instagram/ @jairmessiasbolsonaro)


Para a defensoria do ex-presidente, essa fundamentação é inédita e inaceitável, beirando a violação de garantias constitucionais. Em sua nota, a defesa argumenta que a Constituição Federal de 1988 assegura o direito de reunião e, em especial, a liberdade religiosa a todos os cidadãos. A interpretação de que um ato de fé e oração poderia servir como pretexto para a decretação de uma medida tão extrema, como a prisão preventiva, causou, de fato, reboliço entre os juristas e entre os internautas que são apoiadores.

Os advogados sublinham que Bolsonaro já cumpria prisão domiciliar monitorada por tornozeleira eletrônica e estava sob vigilância policial, afastando, em tese, o alegado risco de fuga ou a necessidade de uma prisão mais severa para garantir a ordem pública. Os advogados indicam que a decisão não se apoia em novo crime, nova conduta ou risco concreto, mas sim em uma interpretação judicial que consideram um atropelo de regras“.

Outro ponto crucial levantado pela equipe jurídica é o estado de saúde do ex-presidente. Em razão das sequelas deixadas pela facada de 2018 e do histórico de cirurgias e crises de saúde subsequentes, a defesa afirma que a prisão pode colocar sua vida em risco.

Os advogados fizeram um paralelo com outros casos notórios de figuras públicas, mencionando que a ex-presidente Collor, por exemplo, teria recebido tratamento mais brando, mesmo com problemas de saúde bem menores, garantindo-lhe a prisão domiciliar por razões humanitárias. A defesa reitera a necessidade de um tratamento humanitário e a garantia de cuidados médicos contínuos e adequados, algo que consideram incompatível com o regime de prisão preventiva determinado.

Próximos passos jurídicos

Diante do cenário, os advogados Celso Vilardi e Paulo Amador da Cunha Bueno anunciaram que tomarão todas as medidas judiciais cabíveis para reverter a decisão. Eles prometem apresentar recursos o mais breve possível, buscando demonstrar a ausência dos requisitos legais que justificam a prisão preventiva e, principalmente, a necessidade de reconsideração da medida em face do estado de saúde do ex-presidente.

O caso, que já polariza o cenário político e jurídico nacional, deverá ser rapidamente apreciado por instâncias superiores, marcando um novo e tenso capítulo na trajetória de Jair Bolsonaro na Justiça. A controvérsia em torno da fundamentação da prisão, atrelada a um evento de cunho religioso e às preocupações com a saúde do detido, promete gerar intensos debates sobre os limites do poder judicial e as garantias individuais no contexto de alta tensão política.

Prisão de Bolsonaro ocorreu sem algemas e exposição por ordem de Moraes

Na manhã deste sábado (22), o ministro do STF (Superior Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal cumprisse a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro no âmbito do inquérito do golpe, processo pelo qual o ex-presidente já foi julgado e condenado. Embora parte do mandado permaneça sob sigilo, chamou atenção a orientação de Moraes para que não fossem utilizadas algemas e para que a prisão ocorresse sem exposição midiática.

Decisão de Moraes

“A autoridade policial responsável deverá cumprir o mandado no dia 22/11/2025, no período da manhã.” Outra observação de grande importância foi a orientação para não utilizar algemas, a fim de preservar o decoro do ex-presidente. “Observando que a medida deverá ser cumprida com todo o respeito à dignidade do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro, sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática; ficando a seu critério a utilização ou não de uniformes e respectivos armamentos necessários à execução da ordem”, escreveu Moraes na decisão, que tem apenas duas páginas.


Ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto:reprodução/SERGIO LIMA/Getty Images Embed)


O documento não esclarece de forma objetiva o motivo da prisão preventiva, já que o ministro do STF não detalha essa justificativa. No entanto, a decisão cita a condenação de Jair Bolsonaro na investigação do golpe, incluindo os crimes pelos quais ele foi considerado culpado.

Condenação

O ex-presidente Bolsonaro já foi condenado pela tentativa de golpe, recebendo uma pena total de 27 anos e 3 meses. No entanto, essa condenação não é o motivo da prisão atual, já que o prazo para apresentação de recursos continua em andamento. A conclusão dessa etapa e a eventual prisão definitiva só devem ocorrer nos próximos dias.

A defesa afirmou que o estado de saúde de Bolsonaro é “delicado” e que a prisão “pode colocar sua vida em risco”. A audiência de custódia está marcada para este domingo (23), às 12h (horário de Brasília), por videoconferência, na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal.

Moraes aponta risco de fuga ao decretar prisão preventiva de Jair Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, converteu em preventiva a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado (22), após a violação da tornozeleira eletrônica que o ex-presidente utilizava em cumprimento de prisão domiciliar. Segundo dados enviados ao STF pelo Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal, o equipamento registrou uma ocorrência de irregularidade às 0h08 do mesmo dia, fato citado na decisão.

A decisão de Moraes

Segundo a decisão, o episódio indica que Bolsonaro pretendia romper o dispositivo para facilitar uma possível fuga, favorecida pelo tumulto provocado por uma mobilização convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. A vigília organizada pelo senador, prevista para ocorrer no Jardim Botânico, também motivou a Polícia Federal a solicitar ao STF a decretação da prisão preventiva.

A vigília, marcada para ocorrer em frente ao Condomínio Solar de Brasília, foi apontada como um fator capaz de gerar tumulto e facilitar uma eventual evasão. A PF reforçou esse argumento ao pedir a prisão preventiva, alegando risco concreto à ordem pública e à segurança de agentes, apoiadores e do próprio ex-presidente.


Notícia da Folha de São Paulo (Foto: Reprodução/Instagram/@folhadespaulo)


O documento também cita uma publicação do senador Flávio Bolsonaro incentivando simpatizantes a se dirigirem ao local. Segundo Moraes, a convocação reproduz métodos já utilizados por integrantes da chamada “milícia digital”, investigada por ações antidemocráticas após 2022, como a disseminação de mensagens de ataque e ódio contra as instituições.

A decisão determina que a prisão seja cumprida sem algemas e sem exposição midiática, mantendo as medidas cautelares já impostas anteriormente, como o uso de tornozeleira eletrônica e as restrições de deslocamento.

Preocupação familiar

Além das repercussões políticas e judiciais, o estado de saúde de Jair Bolsonaro também tem gerado apreensão entre seus familiares, especialmente para o vereador Carlos Bolsonaro. Segundo ele, o ex-presidente apresenta episódios recorrentes de vômito, crises de soluço, falta de apetite e dificuldade para se alimentar.

Bolsonaro passou pela remoção de oito lesões de pele para análise, das quais duas foram confirmadas como carcinoma de células escamosas. Ele também apresenta anemia por deficiência de ferro e sinais de uma pneumonia recente. As condições clínicas, somadas ao contexto de prisão, aumentaram a preocupação da família e de aliados próximos.

Michelle Bolsonaro se pronuncia em rede social após prisão de Jair Bolsonaro

Na manhã deste sábado (22), o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi detido pela Polícia Federal por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao longo do dia, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou seu perfil no Instagram para compartilhar versículos bíblicos em resposta à prisão do marido, gerando repercussão.

Pronunciamento com referências bíblicas

Em seu post, Michelle deixou duas passagens da Bíblia que reforçam sua fé e parecem fazer referência direta ao momento de apreensão. Um dos trechos usados por ela foi o Salmo 121: “Levarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro”.

Ela também citou: “Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará” .Nas redes sociais, muitos interpretaram essas frases como uma forma de protesto ou crítica velada à decisão do STF, ainda que a mensagem tenha sido transmitida de forma espiritual e pessoal.

Prisão de Jair Bolsonaro

A prisão de Bolsonaro ocorreu preventivamente, segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal cumpriu o mandado na manhã de sábado, e a defesa do ex-presidente afirma que a detenção deve ser reavaliada pelo STF.



Foi marcada uma sessão da Primeira Turma do Supremo para segunda-feira (24), das 8h às 20h, para decidir se a prisão preventiva será mantida. De acordo com a PF, a medida não está relacionada à condenação anterior de Bolsonaro por tentativa de golpe, pela qual ele cumpre prisão domiciliar, mas se justifica por risco à ordem pública.

Repercussão política e social

A reação de Michelle Bolsonaro reacende a atenção sobre a gravidade do episódio e a dimensão simbólica da prisão. As citações bíblicas reforçam a narrativa de fé e resistência pessoal — temas que têm forte apelo entre o público conservador. Ao mesmo tempo, a detenção de um ex-presidente continua gerando debates sobre poder, Justiça e os limites da responsabilização política no Brasil.

Matéria por Eduardo Hasbani

Moraes libera visita de Tarcísio a Bolsonaro em dezembro

Alexandre de Moraes autorizou nesta quinta-feira (13) a visita do governador Tarcísio de Freitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O encontro foi marcado para 10 de dezembro (2025), entre 9h e 18h, após pedido dos advogados de Bolsonaro por uma data antecipada. A decisão faz parte de uma nova leva de liberações que incluem outros aliados próximos.

Pedido e definição da data

A defesa de Bolsonaro havia solicitado que a visita do governador de São Paulo fosse realizada “na data mais breve possível”. Moraes, porém, estabeleceu o dia 10 de dezembro, seguindo critérios semelhantes aos aplicados em autorizações anteriores. O despacho também reforçou que todas as visitas devem seguir os protocolos de segurança, como inspeção obrigatória de veículos e registro de entrada e saída.

Além de Tarcísio, outras figuras políticas — como Cláudio Castro, Ronaldo Caiado e Guilherme Derrite — tiveram visitas autorizadas entre o final de novembro e o início de dezembro. Essas autorizações fazem parte de uma agenda controlada pelo STF, que acompanha cada deslocamento permitido ao ex-presidente durante seu período de detenção domiciliar.


Jair Bolsonaro ( Foto: reprodução/ Sergio Lima / Getty Images Embed)


Regras e implicações judiciais

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde agosto de 2025, investigado por suposta participação em articulações golpistas e ataques às instituições democráticas. Por determinação de Moraes, quaisquer encontros precisam ocorrer sem caráter político-eleitoral e dentro de horários restritos.

O ministro deixou claro que as visitas são um direito, mas que precisam ser compatíveis com a condição processual do ex-presidente, que segue impedido de atuar politicamente e de participar de eventos que possam gerar mobilização pública. A fiscalização das visitas será feita com acompanhamento presencial e monitoramento eletrônico.

Relevância política da visita

A presença de Tarcísio ao lado de Bolsonaro tende a ter repercussão significativa no cenário político nacional, especialmente no contexto das articulações para 2026. Apesar de estar afastado da vida pública por decisão judicial, Bolsonaro ainda exerce influência sobre parte da direita, e Tarcísio é visto como uma das principais lideranças emergentes desse grupo.

O encontro ganha peso simbólico, pois pode sinalizar alinhamento, solidariedade e possível coordenação de estratégias futuras — mesmo que nenhuma discussão política formal esteja autorizada. Analistas avaliam que a aproximação reforça a tentativa de setores conservadores de manter coesão enquanto o ex-presidente enfrenta restrições e a oposição se organiza para o próximo ciclo eleitoral.