Justiça suspende falência da Oi após pedido de credores

A Justiça do Rio de Janeiro suspendeu, nesta sexta-feira, (14), a decretação de falência da Oi, que havia sido determinada na segunda-feira, 10 de novembro, e ordenou a retomada imediata do processo de recuperação judicial após recursos apresentados por Bradesco e Itaú. A decisão, assinada pela desembargadora Mônica Maria Costa, reverte a ordem de liquidação da operadora e destaca que a falência poderia causar prejuízos amplos, afetando credores, consumidores e o interesse público. Com isso, a companhia retorna ao regime de reestruturação que já dura quase uma década.

Credores pressionam por revisão da decisão

No início da semana, a 7ª Vara Empresarial havia convertido a recuperação judicial em falência, o que provocou reação imediata dos principais credores e gerou forte instabilidade no mercado. As instituições financeiras sustentaram que a medida era precipitada, colocava em risco a continuidade dos serviços e desconsiderava etapas ainda pendentes no processo. Ao acolher os recursos, o Tribunal de Justiça do Rio avaliou que o encerramento abrupto da reestruturação poderia comprometer negociações em andamento e ampliar a insegurança em um setor considerado essencial.

A nova decisão também determinou a substituição dos interventores responsáveis pela condução da recuperação judicial, medida adotada para reforçar a supervisão e ampliar a transparência das próximas etapas. O tribunal ainda autorizou a apuração de responsabilidades ligadas a decisões estratégicas de acionistas relevantes, entre eles a gestora PIMCO, que tem participação expressiva na estrutura societária da companhia.


Orelhão Oi (Foto: reprodução/Getty Images Embed/NurPhoto)


Impactos e próximos passos

A suspensão reacende o debate sobre a eficácia e os limites da recuperação judicial no país, sobretudo em casos prolongados como o da Oi. A manutenção das operações é vista como fundamental para evitar prejuízos a consumidores, fornecedores e para preservar a competição no setor de telecomunicações. Apesar da reversão, a empresa segue diante de desafios significativos, incluindo dívidas elevadas, ajustes internos e a pressão constante de credores por maior previsibilidade.

Com o retorno ao estágio anterior do processo, novas análises devem ser conduzidas pelo tribunal nas próximas semanas, enquanto a operadora tenta reorganizar suas finanças dentro das regras da recuperação judicial.

Justiça do RJ aprova falência do Grupo Oi

Nesta segunda-feira(10), a gestão de recuperação judicial da empresa decidiu sobre a declaração de falência do Grupo Oi.  Essa decisão marca o desfecho de um dos maiores processos de recuperação judicial da história do Brasil. A companhia, que já foi considerada “campeã nacional” no setor de telecomunicações, entrou com seu primeiro pedido de recuperação judicial em 2016, enfrentando uma dívida superior a R$60 bilhões.

Logo depois, em 2023, a Oi abriu um segundo processo de recuperação judicial. No primeiro semestre de 2025, seus números ainda refletiam severa fragilidade, com uma dívida líquida de cerca de R$10 bilhões e caixa de aproximadamente R$1,15 bilhões. No segundo trimestre, registrou resultado operacional negativo próximo de R$100 milhões.

Decisão judicial e seus efeitos imediatos

Com a falência confirmada, a Justiça determinou a suspensão de todas as ações e execuções em andamento contra o Grupo Oi. A medida busca preservar o patrimônio da companhia e garantir que o processo de falência siga o curso legal, evitando novas disputas judiciais que possam comprometer a massa falida.

Além disso, foi proibida a realização de qualquer ato de disposição ou oneração de bens pertencentes ao Grupo Oi. Essa restrição impede que ativos da empresa sejam vendidos, transferidos ou usados como garantia sem autorização judicial, assegurando maior controle sobre o patrimônio a ser administrado durante o processo.

Outro ponto definido pela decisão judicial foi o bloqueio dos valores vinculados ao chamado “caixa restrito V.Tal”, até que sejam apresentadas provas que comprovem respaldo contratual e fático dos recebíveis descontados automaticamente. Essa medida visa garantir transparência e evitar movimentações financeiras sem a fundamentação legal.


Falência da Oi (Vídeo: reprodução/YouTube/@SBTNews)

Por fim, a Justiça autorizou a continuação provisória das atividades da Oi, sob a gestão do administrador judicial. Essa determinação caracteriza a chamada “convolação” do processo, que é quando uma recuperação judicial é convertida em falência, permitindo que a empresa siga operando de forma controlada, enquanto se conduz a liquidação de seus bens e a negociação com os credores.

Reação do mercado

O impacto foi imediato nos mercados, as ações ordinárias da Oi recuaram mais de 35% na sessão do dia, enquanto os papéis preferenciais caíram quase 48%. Esse movimento reflete a percepção de que o processo de recuperação chegou ao fim ou ao menos a um novo ciclo radical e traz incertezas quanto ao futuro da empresa, seus credores e o setor de telecomunicações no Brasil.

Importância para o setor e implicações

A falência do Grupo Oi é simbólica para o setor de Telecom no país. Ela demonstra que até grandes empresas, com histórico de liderança, podem sucumbir frente à combinação de endividamento elevado, competição acirrada, necessidade de modernização das redes e eventuais falhas estratégicas.

Para os credores, abre-se um novo capítulo, o ambiente jurídico financeiro de falência difere da recuperação judicial, com outros direitos, precedências e riscos. Para o mercado de telecomunicações, a saída ou reestruturação de uma empresa de grande escala gera oportunidades de consolidação, aquisição de ativos e movimentos regulatórios.

O que vem pela frente

Nas próximas semanas, é provável que ocorra a nomeação formal do administrador da falência, que ficará responsável por gerir os ativos do Grupo Oi e conduzir todo o processo de liquidação. Esse profissional atuará como figura central na reorganização das finanças da empresa, garantindo que as decisões sigam o que determina a Justiça e os interesses dos credores.

Também deve ter início a avaliação detalhada dos bens e operações da companhia, com a possibilidade de venda de ativos de rede, participações societárias e outras operações estratégicas. O objetivo é gerar recursos para o pagamento das dívidas e assegurar que o processo ocorra de maneira ordenada e transparente.

Os credores, por sua vez, deverão ser oficialmente notificados para apresentar seus créditos e participar das etapas do processo de liquidação. Essa fase é essencial para que se estabeleça a lista de credores, seus respectivos valores e a ordem de prioridade no recebimento.

Ao mesmo tempo, os órgãos regulatórios deverão acompanhar de perto o desenrolar da falência, considerando o impacto que o caso tem sobre o setor de telecomunicações. A queda de uma empresa de grande porte como a Oi pode afetar diretamente milhões de usuários, além de gerar repercussões no mercado concorrencial e na infraestrutura nacional de comunicações.

Justiça do Rio de Janeiro decreta a falência da Oi

Nesta segunda-feira (10), a 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), decretou a falência do grupo de telefonia Oi. A juíza Simone Gastesi Chevrand apontou a insolvência técnica e patrimonial da empresa do ramo de telecomunicações, afirmando que a companhia é “tecnicamente falida”.

Apesar de ter a falência decretada, a Oi ainda segue suas atividades até que outras empresas assumam os seus serviços, garantindo assim a manutenção da conectividade para os clientes.

Determinação judicial

Após quase dez anos de recuperação judicial, foi decretada, nesta segunda-feira, que a empresa de telecomunicações Oi está falida. A magistrada Simone Gastesi Chevrand, que expediu a ordem, descreveu em despacho que “não há mais surpresas quanto ao estado do Grupo em recuperação judicial”.

Segundo a juíza, a Oi possui uma dívida de aproximadamente R$ 1,7 bilhão com receita mensal de cerca de R$ 200 milhões, tornando assim a empresa com o patrimônio esvaziado. A magistrada ainda apontou que os ativos sejam liquidados de maneira ordenada, visando utilizar de maneira eficiente o saldo remanescente da companhia para o pagamento de seus credores.

Até que outras empresas assumam outros serviços de conectividade, a Oi seguirá as suas atividades. No momento, o Preserva-Ação ficará como administrador judicial no processo. Os escritórios Wald e K2 tiveram a continuidade dos serviços prestados dispensadas pela justiça.


Loja da Oi, em Brasília (Foto: reprodução/Gustavo Gomes/Bloomberg/Getty Images Embed)


Situação irreversível

Na última sexta-feira (7), a Oi e seu interventor apontaram uma insolvência de seus negócios. Ambas as partes alegaram a impossibilidade da empresa arcar com o pagamento de suas dívidas, e nem adotar alguma medida para reverter a situação.

Anteriormente, a Oi já havia descumprido parte do acordo. A esse respeito, a juíza Simone Gastesi Chevrand afirmou que “não há mínima possibilidade de equacionamento entre o ativo e o passivo da empresa. Não há mínima viabilidade financeira no cumprimento das obrigações devidas pela Oi”.

Recentemente, a companhia chegou a solicitar mudanças do plano de recuperação, mas não obteve êxito, assim como não teve sucesso no seu pedido de abrir um novo processo de recuperação nos EUA.