Benjamin Netanyahu ordena ofensiva imediata das tropas israelenses

Benjamin Netanyahu declarou nesta terça-feira (28) que as Forças de Defesa de Israel devem começar “imediatamente” uma ofensiva na Faixa de Gaza, justificando que a intensificação do conflito requer uma resposta imediata. Em um discurso dirigido aos aliados, o primeiro-ministro advertiu que a situação “mudou de patamar” e que a mobilização das brigadas procura restabelecer a segurança nas áreas de fronteira de forma rápida.

Analistas já consideram que essa ação pode piorar a crise humanitária e provocar uma forte condenação internacional.

Mobilização e objetivos da operação

Netanyahu explica que as tropas serão enviadas para “neutralizar ameaças imediatas” e garantir corredores de segurança para os civis israelenses que vivem nas regiões fronteiriças. A ordem abrange o envio de tropas de elite e a utilização de reservas militares, indicando que o nível de alerta interno foi elevado.


Fontes próximas ao governo destacam que a liderança israelense planeja atacar centros logísticos e infraestruturas estratégicas inimigas, ao mesmo tempo, em que reafirma que não haverá recuo frente a novos ataques. O pronunciamento gerou uma resposta imediata de autoridades palestinas e organizações de direitos humanos, que alertam sobre possíveis consequências graves para a vida civil.

Reações e riscos da intensificação do conflito

A decisão gerou uma resposta rápida da comunidade internacional, com diversos países e entidades manifestando preocupação. A Organização das Nações Unidas pediu a ambas as partes que evitem uma escalada que possa levar a uma “catástrofe humanitária”. Analistas já alertam que o uso de força ampliada pode afetar as zonas de refúgio em Gaza e causar um aumento significativo de vítimas civis, além de intensificar a instabilidade na região.


Jornalista comenta sobre a decisão de Benjamin Netanyahu sobre os novos ataques (Vídeo: reprodução/Youtube/Rádio Bandeirantes)

Internamente, as populações israelenses próximas à fronteira consideram a medida essencial para garantir a segurança, porém questionam o impacto político e humano. Especialistas alertam que cada ofensiva tem consequências diplomáticas e pode mudar as alianças no Oriente Médio.

Ao ordenar uma ofensiva imediata, o governo de Netanyahu indica que considera a fase atual do conflito inaceitável para a passividade. A decisão de agir rapidamente coloca Israel em uma posição sólida, porém sob a vigilância da comunidade internacional, devido ao risco de um aumento no número de vítimas e consequências regionais. A avaliação da eficácia militar, bem como os custos humanitários e diplomáticos dessa nova ação, dependerá do desenrolar da operação nas próximas horas.

Trump apresenta proposta de paz para Gaza e aguarda a resposta do Hamas

O conflito em Gaza, que já se estende por quase dois anos desde o ataque de 7 de outubro de 2023, ganhou um novo esforço diplomático dos Estados Unidos. Nesta segunda-feira (29 de setembro de 2025), o Presidente Donald Trump, ao lado do Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu, anunciou um “plano abrangente para encerrar o conflito em Gaza”.

A proposta de 20 pontos da Casa Branca visa o cessar-fogo imediato, a libertação dos reféns, a desmilitarização do território e o estabelecimento de uma complexa estrutura de governança e reconstrução para o pós-guerra. A iniciativa foi imediatamente aceita por Israel, mas o grupo militante palestino Hamas, essencial para sua implementação, ainda está em processo de análise.

Pilares da proposta são o cessar-fogo e a troca de reféns

O ponto de partida do plano é a interrupção imediata das hostilidades, sendo necessárias ações de ambos os lados. Cessar-fogo imediato: se as partes concordarem, a guerra terminará imediatamente. As forças israelenses deverão retirar gradualmente as linhas pré-acordadas, bombardeios e operações militares devem ser suspensos.

Libertação de reféns em 72 horas: o plano exige que todos os reféns israelenses, vivos e mortos (cerca de 50 restantes, estimados em 20 vivos), sejam devolvidos em até 72 horas após a aceitação pública de Israel.

Troca de prisioneiros: em contrapartida, Israel libertaria 250 prisioneiros condenados à prisão perpétua, além de 1.700 gazenses detidos após 7 de outubro de 2023. Há também previsão para a troca de restos mortais na proporção de 15 gazenses falecidos para cada refém israelense falecido.


Uma mulher palestina, no sul da Faixa de Gaza.(Foto: reprodução/OMAR AL-QATTAA/AFP/Getty Images Embed)

Propostas de construção de um futuro para Gaza

A proposta americana dedica grande parte de seus pontos a reestruturar a Faixa de Gaza após o fim dos combates. Zona livre de terror e desarmamento: Gaza deve se tornar uma “zona livre de terror e desradicalizada“. Toda a infraestrutura militar, ofensiva e de túneis do Hamas deve ser destruída e não pode ser reconstruída. Membros do Hamas que depuserem as armas e se comprometerem com a paz receberão anistia (perdão dos crimes).

Força de Estabilização Internacional (ISF): será criada uma Força de Estabilização Internacional, desenvolvida com parceiros árabes, para ser implantada imediatamente. A ISF será responsável pela segurança interna de longo prazo, treinando forças policiais palestinas e trabalhando com Israel e Egito para prevenir a entrada de armas.

Governança temporária: o plano estabelece uma governança transitória temporária liderada por um comitê palestino tecnocrático e apolítico. A supervisão será do “Conselho de Paz” (Board of Peace), presidido pelo Presidente Trump, com outros membros, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Reconstrução e economia: será lançado um Plano de Desenvolvimento Econômico Trump para reconstruir e energizar Gaza, incluindo a criação de uma zona econômica especial. O objetivo é atrair investimentos e criar empregos.

Sem ocupação ou deslocamento: o plano garante que Israel não ocupará nem anexará Gaza, e reitera que ninguém será forçado a deixar o território.


Infográfico intitulado "Plano do Presidente dos EUA, Trump, para Gaza". (Foto: reprodução/Kadri Suat Celik/Anadolu via Getty Images Embed)

Reações: do otimismo ao ceticismo

A divulgação do plano gerou uma variedade de respostas globais. Israel e Estados Unidos: o Primeiro-Ministro Netanyahu endossou o plano, afirmando que ele atende aos objetivos de guerra de Israel. No entanto, ele também fez ressalvas sobre uma retirada israelense “lenta e limitada”, com Israel mantendo presença na maior parte do território. O Presidente Trump prometeu “apoio total” dos EUA a Israel caso o Hamas rejeite a proposta.

Hamas e palestinos: o Hamas está estudando a proposta, que recebeu através de mediadores. Fontes indicam que o grupo avalia o potencial para um cessar-fogo. No entanto, a população em Gaza expressou descrença e pessimismo, com alguns moradores temendo que o plano seja uma “farsa” para libertar reféns sem garantias reais de um fim duradouro para o conflito. A Jihad Islâmica Palestina, aliada do Hamas, classificou a proposta como uma “receita para explodir a região”.

Comunidade internacional: a Autoridade Palestina (AP) saudou os esforços de Trump, reiterando o compromisso de trabalhar para uma solução de dois Estados. Líderes de países árabes-chave (incluindo Arábia Saudita, Egito e Catar) receberam a proposta positivamente, prontos para cooperar na implementação. Líderes europeus, como França e Reino Unido, elogiaram a iniciativa e pediram que todas as partes “aproveitem o momento”.


Manifestantes seguram fotos de reféns mantidos pelo Hamas na Faixa de Gaza. (Foto: reprodução/Amir Levy/Getty Images Embed)

O que a proposta tem de novo ativas anteriores

O novo plano dos EUA se diferencia de iniciativas anteriores por sua abordagem detalhada para o pós-guerra, em contraste com o cessar-fogo de janeiro de 2025, que fracassou na segunda fase de negociações. Enquanto o acordo anterior previa a libertação escalonada de reféns e adiava a discussão sobre governança, o plano atual exige a libertação de todos os reféns em 72 horas e define imediatamente uma governança de transição que exclui o Hamas, apesar de a viabilidade do plano ser baseada na aceitação pelo Hamas.

Netanyahu critica líderes mundiais em discurso na ONU

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condenou nesta sexta-feira (26), durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, as críticas internacionais à guerra de Israel em Gaza e os líderes que reconheceram o Estado Palestino, acusando-os de ceder a “mídias tendenciosas, grupos islâmicos radicais e máfias antissemitas”.

Antes de começar a falar, Netanyahu foi vaiado ao subir ao púlpito, enquanto representantes de diversas delegações, incluindo o Brasil, deixaram a plenária da ONU.

No discurso, o premiê respondeu às ações de importantes aliados dos EUA, que, segundo ele, contribuíram para o isolamento diplomático de Israel em meio à guerra prolongada contra militantes do Hamas em Gaza.

Reconhecimento da Palestina

Nesta semana, França, Reino Unido, Canadá, Austrália e outras nações participaram de uma conferência na ONU para discutir a coexistência pacífica entre Israel e o Estado palestino, iniciativa criticada pelo primeiro-ministro israelense. Até o momento, mais de 145 países-membros da ONU já reconhecem a Palestina.

“Vocês sabem que mensagem os líderes que reconheceram o Estado Palestino esta semana enviaram aos palestinos? É uma mensagem clara: matar judeus compensa”, afirmou.



Ele seguiu acusando líderes mundiais de promover uma “guerra política e legal contra Israel”, afirmando que muitos países se curvam diante das dificuldades: “Existe um ditado: quando as coisas ficam difíceis, os fortes entram em ação. Para muitos países aqui, porém, quando as coisas ficaram difíceis, vocês se curvam. E aqui está o resultado vergonhoso desse colapso.”

Conflito em Gaza

Ao comentar a guerra em Gaza, Netanyahu afirmou que o apoio internacional a Israel desapareceu rapidamente após o ataque de 7 de outubro, quando o país reagiu como “qualquer nação que se respeitasse faria”. Ele também destacou as vitórias de Israel contra o Hamas e outros grupos militantes apoiados pelo Irã, lembrando os ataques que deixaram cerca de 1.200 mortos e 48 reféns em Gaza.

“Grande parte do mundo não se lembra mais de 7 de outubro. Mas nós nos lembramos”, disse.

Segundo autoridades de saúde locais, a resposta militar de Israel em Gaza resultou na morte de mais de 65 mil pessoas e causou destruição generalizada no território.

Trump exige “rendição incondicional” do Irã em meio a conflito contra Israel

A escalada do conflito entre Israel e Irã atingiu um novo patamar com a intervenção direta dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump. A postura americana oscilava entre ameaças e aberturas diplomáticas e pendeu para uma linha mais agressiva, culminada na exigência de “rendição incondicional” do Irã.

Exigência de rendição como um ponto de virada

Esta exigência implica na submissão total do Irã às demandas dos EUA e de Israel sem termos negociados. Trump expressou frustração com a incapacidade dos líderes iranianos de chegar a um acordo prévio e declarou que não está “muito no clima para negociar”, e que busca “um fim real” para o conflito, não apenas um cessar-fogo temporário.


Donald Trump posta na rede social Truth “aviso” para liderança do Irã (Reprodução: Truth Social/@realDonaldTrump)

Intensificação da pressão americana

Além da demanda por rendição, o presidente afirmou que os EUA detêm “controle completo dos céus sobre o Irã” e que sabem “exatamente onde o chamado ‘Líder Supremo’ está escondido”, referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei, embora tenha ressaltado que não pretende “eliminar” Khamenei “por enquanto”.

A administração Trump reitera que o Irã “não pode ter uma arma nuclear” e responsabiliza o governo iraniano pela ausência de um acordo sobre seu programa nuclear, que, segundo Washington, teria evitado as mortes no conflito atual. Navios de guerra e aeronaves militares americanos, realocados na região, alimentam as especulações sobre uma intervenção militar direta.

Possibilidade de eliminação de Khamenei

O ataque surpresa lançado sobre o Irã na última sexta-feira (13) eliminou a alta cúpula militar iraniana e vários cientistas do programa nuclear do país, mas poupou o aiatolá Ali Khamenei e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Posteriormente, em declarações à emissora americana ABC News, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu não descartou a hipótese de também atacar Khamenei, argumentando que sua morte não “escalaria o conflito”, mas o encerraria.

A declaração de Netanyahu veio à tona em meio a especulação que Donald Trump teria vetado um plano israelense de assassinar o líder iraniano. Netanyahu, no entanto, negou veementemente qualquer veto da Casa Branca, afirmando: “Há tantas notícias falsas que nunca aconteceram e não vou entrar nesse assunto. Nós fazemos o que precisamos fazer”.

Objetivos de Israel

O premiê israelense reiterou a visão de que o Irã “quer uma guerra eterna” e que Israel tem enfrentado “meio século de conflito espalhado por esse regime”. Militares israelenses indicam que o objetivo principal do país é eliminar a “dupla ameaça” iraniana: seu programa nuclear e seus mísseis balísticos.

Contudo, Netanyahu em suas declarações, sugere que a queda do regime dos aiatolás, que governa o Irã desde 1979, poderia abrir caminho para uma nova ordem, possivelmente com maior integração entre Israel e países árabes.