Lula cita fabricações de inverdades na COP30

 

Lula discursa na abertura da COP30 (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)Na abertura da Conferência das Nações Unidas Sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que “interesses egoístas e imediatos preponderam sobre o bem comum”, quando o assunto é a preservação ambiental.

“Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades econômicas e degradação ambiental”, declarou o presidente.

Segundo Lula, conflitos armados e a animosidade entre países de diversas regiões do mundo, desviam verbas financeiras que deveriam ser destinadas ao combate do aquecimento global. Ações que visam diminuir as mudanças climáticas devem “estar no centro das decisões de cada governo, empresa e pessoa”, disse.


Discurso do Presidente Lula (Vídeo: reprodução/Instagram/@globonews)


Lula sobre o aviso dos cientistas

Presidente também falou que não se deve mais ignorar os avisos dos cientistas. Segundo ele, “É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-las”.

Lula afirmou que a COP30 é a “COP da verdade”, citando dados alarmantes sobre as projeções da morte de mais de 250 mil pessoas por ano, o que poderá encolher o PIB mundial até 30% devido aos prejuízos financeiros causados pela intensificação do aquecimento global.

“Enquanto isso, a janela de oportunidade que temos para agir está se fechando rapidamente. A mudança do clima é resultado das mesmas dinâmicas que, ao longo de séculos, fraturaram nossas sociedades entre ricos e pobres e cindiram o mundo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”, informou.


Lula discursa na abertura da COP30 (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


Mapa do caminho

Entidades do clima vem cobrando uma discussão da elaboração de um “mapa do caminho”, ações que iriam contra a utilização de combustíveis fósseis e visariam reverter o desmatamento.

“Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, afirmou.

A expectativa das autoridades é que este planejamento esteja nas resoluções finais da COP30.

Região mais populosa da Jamaica na rota do furacão Melissa

O furacão Melissa deve atingir a Jamaica nesta terça-feira (28) com ventos de até 280 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA. O fenômeno é considerado altamente destrutivo, com risco de enchentes, deslizamentos e elevação do nível do mar em até 4 metros.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha estima que cerca de 1,5 milhão de pessoas serão diretamente afetadas — mais da metade da população jamaicana —, o que evidencia um risco elevado de enchentes, desmoronamentos e aumento do nível do mar em até 4 metros em trechos do litoral, o que intensifica o alerta para áreas costeiras e sobre áreas densamente habitadas.

Furacão mais forte do século

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou para a gravidade da situação na Jamaica com a chegada do furacão Melissa, que pode provocar rajadas de vento de até 300 km/h, enchentes súbitas e deslizamentos de terra, configurando o fenômeno climático mais severo registrado no país em um século.

Mais de 800 abrigos foram mobilizados para acolher moradores de áreas vulneráveis, enquanto autoridades preveem que, após atravessar a ilha, o furacão volte a atingir Cuba entre a noite desta terça-feira (28) e a manhã de quarta-feira (29).


Furacão Melissa atinge categoria 5 (Vídeo: reprodução/R7)

A trajetória do furacão já resultou em sete mortes no Caribe: três no Haiti, três na Jamaica e uma na República Dominicana. De acordo com o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos, o fenômeno segue classificado na categoria 5, com ventos que chegam a 280 km/h.

Evacuação em massa na Jamaica

Diante da ameaça representada pelo furacão Melissa, o governo da Jamaica decretou estado de emergência e determinou evacuação compulsória em várias áreas consideradas de alto risco. Entre as comunidades afetadas estão Rocky Point, Baía do Porto Velho, Taylor Land, New Haven e Riverton City.

O primeiro-ministro Andrew Holness afirmou que a Jamaica não tem estrutura para suportar um furacão de categoria 5 e que o principal desafio será a reconstrução. As medidas emergenciais seguem válidas enquanto houver risco à população. O ministro da Saúde, Christopher Tufton, informou que pacientes foram transferidos para andares superiores de hospitais costeiros como precaução diante da elevação do nível do mar.

Congresso aprova Belém como capital durante a COP30

O Congresso Nacional aprovou, nesta terça-feira (7), um projeto que transfere simbolicamente a capital do Brasil de Brasília (DF) para Belém (PA) durante a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). O evento ocorrerá entre os dias 11 e 21 de novembro de 2025, transformando a capital paraense no epicentro das decisões políticas e ambientais do país.

A proposta determina que, ao longo desse período, todos os atos e despachos presidenciais e ministeriais terão como referência Belém, e não Brasília. A medida tem caráter simbólico, mas representa um gesto político importante ao colocar a Amazônia no centro das discussões sobre clima e sustentabilidade global.

O projeto agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se aprovado, será a primeira vez na história que o Brasil realiza uma transferência simbólica de capital voltada para reforçar o protagonismo da região amazônica em um evento internacional de grande escala.

Medida reforça protagonismo da Amazônia nas negociações climáticas

A deputada Duda Salabert (PDT-MG), autora da proposta, afirmou que a medida é uma forma de fortalecer a COP30 e reconhecer a importância estratégica da Amazônia na agenda ambiental internacional. Segundo ela, transferir a sede simbólica do poder político brasileiro para Belém durante a conferência é um gesto de respeito ao bioma que mais impacta o equilíbrio climático global.

O relator do projeto no Senado, Jader Barbalho (MDB-PA), destacou que a decisão permitirá ao Brasil reafirmar seu papel de liderança nas negociações sobre mudanças climáticas. Em seu parecer, ele ressaltou que o evento dará visibilidade aos avanços nacionais em energias renováveis, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono, pilares da estratégia brasileira de desenvolvimento sustentável.


ONU Brasil reforça a importância da COP30 para o combate às mudanças climáticas (Foto: Reprodução/Instagram/@onubrasil)

Além de reforçar o compromisso ambiental, o gesto  também busca aproximar as decisões do governo federal das comunidades locais, valorizando os saberes amazônicos e a participação social no debate sobre o futuro do planeta.

Governo projeta COP da verdade e não do luxo, diz Lula

Durante a aprovação do projeto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou que a COP30 será “a COP da verdade, não do luxo”. Segundo ele, o Brasil pretende conduzir a conferência de forma inclusiva, mostrando ao mundo que é possível conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e justiça social.

A realização da COP30 em Belém deve atrair líderes mundiais, ambientalistas, pesquisadores e representantes de povos tradicionais, consolidando a cidade como um símbolo de resistência e sustentabilidade. O governo federal trabalha para garantir infraestrutura adequada, segurança e mobilidade urbana compatíveis com o porte do evento.

Ao colocar Belém no mapa das grandes decisões globais sobre o clima, o Brasil envia uma mensagem clara: o futuro da humanidade passa pela Amazônia. A transferência simbólica da capital é, portanto, mais do que um ato protocolar, é um gesto político e ambiental que marca uma nova fase na diplomacia verde brasileira.

Terra ultrapassa 7 dos 9 limites planetários, aponta estudo

Um relatório divulgado recentemente pelo Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK) aponta que a Terra já ultrapassou sete dos nove limites planetários, indicadores científicos que avaliam se o planeta ainda está em condições seguras para sustentar a vida.

A atualização do levantamento de 2025 revela que a acidificação dos oceanos, que estava no limite no ano passado, já passou da fronteira de segurança. Em 2024, seis processos estavam em situação crítica.

Acidificação ameaça ecossistemas marinhos

A queda confirmada do pH já provoca danos em espécies marinhas como os pterópodes, pequenos caracóis que sustentam cadeias alimentares, ameaçando recifes de corais, moluscos e ecossistemas inteiros, além de comprometer o papel fundamental do oceano como regulador climático e fornecedor de oxigênio.

“O oceano está se tornando mais ácido, os níveis de oxigênio estão caindo e as ondas de calor marinhas estão aumentando. Isso pressiona um sistema vital para estabilizar o planeta”, afirmou Levke Caesar, coautora do relatório.


Diagrama dos limites planetários (Foto: reprodução/PIK)

Segundo o relatório, a mudança é causada pelo aumento de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, desmatamento e alterações no uso da terra. Ao longo do período industrial, a acidez da água do mar subiu entre 30% e 40%, refletindo uma queda de cerca de 0,1 unidade no pH.

Planeta em risco

Pesquisadores do PIK alertam que a temperatura global precisa ser controlada para evitar a intensificação de desastres climáticos. 

“Mais de três quartos dos sistemas de suporte da Terra não estão na zona de segurança. A humanidade está ultrapassando os limites de um espaço operacional seguro, aumentando o risco de desestabilização do planeta”, afirma Johan Rockström, diretor do PIK.

Os limites planetários foram propostos por Rockström em 2009 e funcionam como um alerta para a emergência climática. Atualmente, apenas dois permanecem dentro da zona segura — carga de aerossóis e camada de ozônio —, enquanto sete já foram rompidos: mudanças no uso da terra, mudanças climáticas, perda de biodiversidade, ciclo do nitrogênio e fósforo, uso de água doce, poluição química e acidificação dos oceanos.

Rússia vive os dias mais quentes em trinta anos

Moscou viveu, nesta quinta-feira (11), o dia mais quente em quase três décadas, com os termômetros atingindo 35ºC. Segundo dados do serviço meteorológico russo, esse registro superou o recorde anterior de 33,9ºC, estabelecido em 1996. O fenômeno chegou acompanhado de uma onda de calor que já persiste há vários dias e atinge grande parte do centro da Rússia, bem como regiões do sul da Europa.

A população local buscou alívio nas fontes, lagos e canais da cidade, apesar de proibições oficiais quanto ao uso recreativo dessas áreas, muitas vezes poluídas. Com o calor intenso, parques públicos, áreas verdes e residências de veraneio nos arredores da capital também se tornaram refúgio para quem tenta escapar das altas temperaturas.

Calor extremo em contexto global

Especialistas apontam que essas marcantes elevações térmicas têm se tornado cada vez mais comuns em países de clima temperado, como a Rússia, devido às mudanças climáticas. Dados divulgados pelo monitor climático Copernicus indicam que o mês de junho de 2025 foi o mais quente já registrado na Europa Ocidental. A região exibiu temperaturas de três a oito graus acima da média histórica, gerando condições classificadas como “estresse térmico severo”.


Onda de calor na russa causa dia mais quentes do ano (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

A onda de calor que agora castiga Moscou se estendeu por várias regiões centrais do país, incluindo também o sul da Europa. Projeções indicam que o calor intenso deve permanecer pelo menos até o início da próxima semana, quando há previsão de queda gradual nas temperaturas.

Consequências para a saúde e infraestrutura

O calor fora do comum representa risco especial para grupos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Médicos relatam aumento no número de casos de desidratação, exaustão térmica e quadros similares. Trabalhadores que atuam ao ar livre, como operários da construção civil, também enfrentam dificuldades diante da intensidade do calor.

Além do impacto humano, a alta pressão térmica coloca em risco a infraestrutura urbana: pavimentações expostas ao sol intenso podem derreter, sistemas de eletricidade e ar condicionado passam por sobrecarga, e há aumento considerável no consumo de energia. Moradores relatam ainda preocupação com a poluição da água nos lagos e canais, que, em muitos casos, encontra-se acima do permitido.

Outros episódios históricos de calor extremo na Rússia servem de alerta para a situação atual. No verão de 2010, uma onda derrubou recordes até 44ºC, provocou incêndios florestais e levou à declaração de emergência em diversas regiões. Naquele ano, os efeitos socioambientais foram dramáticos, com milhares de pessoas afetadas pela seca e pela fumaça tóxica. Os especialistas recomendam atenção e políticas públicas mais eficazes para lidar com essas emergências climáticas.

Brasil manifesta condolências após tragédia no Texas e alerta para urgência climática

O governo brasileiro expressou solidariedade neste sábado (5) às famílias das vítimas das enchentes que devastaram o interior do Texas, nos Estados Unidos. Por meio de nota oficial do Itamaraty, o Brasil lamentou profundamente a tragédia que já resultou em pelo menos 32 mortes, incluindo crianças, e destacou o risco crescente de desastres climáticos em razão das mudanças no clima.

O comunicado divulgou condolências ao povo e ao governo americano, ressaltando que até o momento não há registros de brasileiros entre as vítimas. O Ministério das Relações Exteriores enfatizou ainda a urgência de que países trabalhem em conjunto para enfrentar os efeitos intensificados pelo avanço da crise climática.

Balanço devastador e drama das enchentes repentinas

Autoridades locais confirmaram que 32 pessoas morreram em função das inundações, entre elas ao menos 14 crianças que estavam em Camp Mystic, um acampamento de verão às margens do rio Guadalupe, na região de Kerr, centro-sul do Texas. Dezenas de campistas e moradores continuam desaparecidos, com operações de resgate em andamento durante todo o fim de semana.


Enchentes no Texas deixam pelo menos 32 mortos (Vídeo: reprodução/YouTube/Band Jornalismo)

O condado de Kerr enfrenta uma situação alarmante: o rio Guadalupe registrou aumento de até 6 metros em menos de duas horas, inundando áreas residenciais, trilhas e acampamentos situados próximos ao leito do rio. As chuvas torrenciais chegaram a despejar cerca de 300 mm em apenas um dia, quase metade da média anual, causando cheias repentinas e avassaladoras.

Resposta emergencial e mobilização das autoridades

Equipes de busca e salvamento montaram barreiras humanas para resgatar pessoas ilhadas em árvores e telhados. As operações envolveram centenas de militares, bombeiros, guardas florestais, barcos, helicópteros e drones, com mais de 850 pessoas já removidas de áreas de risco. O governador Gregory Abbott declarou estado de emergência e anunciou recursos ilimitados para a resposta à crise.

Apesar do alerta meteorológico antecipado pelo Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), o volume extremo de chuva excedeu as projeções iniciais, pegando muitos de surpresa. Autoridades locais admitiram que os avisos não foram suficientes para evitar tragédias, e que as enchentes se propagaram com velocidade que inviabilizou ações preventivas eficazes.