Meta enfrenta legislação antitruste nos Estados Unidos e na Europa

A Meta, conglomerado de plataformas liderado por Mark Zuckerberg, tem enfrentado as legislações antitruste existentes para continuar executando seus serviços. Na última quarta-feira (26), a empresa classificou como “aberrantes” os pedidos de informação da investigação realizada pela Comissão Europeia. A informação foi publicada pela Agência Reuters.

Enquanto na Europa a empresa enfrenta um litígio judicial, nos Estados Unidos a situação é diferente: um juiz deu ganho de causa à companhia por entender que a Meta não pratica atos de deslealdade com seus concorrentes.

Explicando o antitruste

As leis antitruste são regulamentações que incentivam a concorrência, limitando o poder de mercado de qualquer empresa. A legislação também impede que várias empresas conspirem ou formem um cartel para limitar a concorrência por meio de práticas como a fixação de preços.

Devido à complexidade de decidir quais práticas limitarão a concorrência, o direito antitruste tornou-se uma especialização jurídica distinta.

Situação na Europa

A Comissão Europeia iniciou duas investigações contra a companhia há quatro anos. A empresa está recorrendo ao Tribunal de Justiça da União Europeia após perder uma contestação anterior às exigências da Comissão relacionadas à rede social Facebook e ao seu negócio de anúncios classificados online, o Facebook Marketplace. A acusação é que a Meta estaria aplicando condições comerciais desleais contra seus concorrentes.

Segundo relatado pelo advogado da Meta, Daniel Jowell, ao painel de cinco juízes, os documentos obtidos pelas exigências da União Europeia para investigação incluíam relatórios de autópsia de familiares, relatórios escolares de crianças, informações sobre indivíduos e suas famílias e até detalhes de segurança.

Jowell questiona se o poder da Comissão para exigir documentos digitais “é efetivamente ilimitado, ou se é orientado de uma forma que respeite adequadamente os princípios da necessidade, da proporcionalidade e do direito fundamental à privacidade”.

A Meta já havia sido multada em € 797,7 milhões (cerca de US$ 923,6 milhões) em 2024 por vincular o Marketplace à sua rede social pessoal Facebook e impor condições comerciais injustas a outros fornecedores de serviços de anúncios online.


Meta enfrenta litígio na Europa com leis antitrust (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


Situação na América

Ao contrário do que está acontecendo no Velho Continente, a situação para a Meta é favorável nos Estados Unidos. A companhia saiu vitoriosa em sua longa batalha judicial contra a Comissão Federal de Comércio (FTC), que a acusava de manter um monopólio ilegal sobre as redes sociais.

A Comissão americana entrou com o processo há cinco anos, argumentando que a propriedade do Instagram e do WhatsApp pela Meta lhe conferia um controle desproporcional sobre o mercado. Contudo, em decisão divulgada na terça-feira, o juiz James Boasberg, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Washington, D.C., decidiu que a FTC não conseguiu comprovar suas alegações. Boasberg escreveu que, mesmo que a Meta já tenha detido poder de monopólio, a FTC não conseguiu demonstrar que a empresa ainda continua a deter tal poder atualmente.

Novo recurso da Meta traz traduções em áudio para vídeos em Hindi e Português

Informações sobre uma nova ferramenta de tradução foram divulgadas na última quinta-feira (9) para uma nova atualização que incluirá vídeos do Facebook e publicações do Instagram Reels, com inteligência artificial, criações na plataforma poderão ser “dubladas” automaticamente para hindi ou português. O recurso parte da tradução inicial em inglês-espanhol lançada em agosto pela Meta.

A empresa mira diretamente nos mercados mais engajados com o Reels, adicionando português e hindi, dois idiomas falados por milhões de pessoas em todo o mundo, uma estratégia que aproxima criadores de conteúdo com seus espectadores, ao mesmo tempo que afina ainda mais a divisão entre autenticidade real e produções artificiais.

É possível que o engajamento nas plataformas Meta aumente o tempo gasto dos usuários acompanhando seus feeds, recebendo conteúdos que antes eram ignorados ou excluídos pela barreira entre idiomas tão distintos.

Sintetização e sincronização

Com a ferramenta, criadores de conteúdo podem ativar uma função que imitará o som e o tom de voz da pessoa presente no vídeo a ser publicado, traduzindo totalmente o áudio para outro idioma. Para evitar um estranhamento com as vozes sintéticas, entre as configurações da tradução, existe a sincronização labial, onde um escaneamento combinará o áudio traduzido com o movimento da boca do locutor, parecendo mais “natural”.


Mark Zuckerberg anunciando a nova ferramente Meta (Vídeo: reprodução/Instagram/@zuck)

Para aqueles que não desejam conviver com o recurso, na aba de controles do Instagram “Traduzido com Meta AI” é possível desativar as novas traduções e trocá-las pelo áudio original. Traduções em áudio também estão disponíveis no TikTok.

Perigos cibernéticos

Por um lado, a nova ferramenta de tradução diminui barreiras linguísticas, permitindo que criadores tenham um maior alcance e seguidores conheçam novos conteúdos, porém, quanto mais filtros de inteligência artificial comandam o mundo digital pouco a pouco, esvaindo as partes humanas do material, mais próximo chegam os usuários de precisarem de novas proteções em relação à atribuição e consentimento.

Vale lembrar que áudios artificiais estão começando a serem indistinguíveis da realidade e que antes mesmo de serem tão “perfeitos” muitos golpes foram aplicados utilizando ferramentas IA e não apenas em áudio, mas também com imagens, como o deep fake, para arrancar dinheiro de desavisados. Embora haja lados positivos, no mundo virtual com o comando de recursos programados, há mais perigos cibernéticos à espreita.

Meta lança par de óculos movido por inteligência artificial

A Meta lançou na última quarta-feira (17) o seu mais novo artefato tecnológico, os óculos Meta Ray-Ban Display. O CEO da companhia, Mark Zuckerberg, apresentou o item em sua conferência anual de desenvolvedores, a “Meta Connect”. Os óculos foram desenvolvidos em parceria com as marcas de óculos de sol Ray-Ban e Oakley.

O produto apresenta um display colorido de alta resolução quase que imperceptível dentro da lente e também possui uma câmera de 12 megapixels. Movido por inteligência artificial, permite que o usuário tenha acesso a fotos, mensagens e tudo o que diz respeito à vida digital. O item é similar aos óculos comuns utilizados no dia a dia.

Estratégia da Meta

A empresa tem investido cada vez mais em produtos voltados à inteligência artificial. Para Zuckerberg, trata-se de um “enorme avanço científico”: “Trabalhamos em óculos há mais de 10 anos, e este é um daqueles momentos especiais em que mostramos algo em que investimos grande parte das nossas vidas”, disse.

Analistas afirmam que os óculos inteligentes provavelmente farão mais sucesso do que o projeto Metaverso da empresa, que são mundos virtuais para conectar usuários em ambientes digitais: “Ao contrário dos óculos de realidade virtual , os óculos são um formato prático para o dia a dia”, disse Mike Proulx, vice-presidente e diretor de pesquisa da Forrester.


Evento de lançamento dos óculos Meta Ray-Ban Display em Menlo Park, Califórnia (Foto: reprodução/David Paul Morris/Bloomberg/Getty Images Embed)

Metal Neural Band

Atrelado aos óculos, a Meta lançou a Meta Neural Band, uma pulseira que interpreta os sinais naturais criados pela atividade muscular para navegar pelos recursos dos óculos, permitindo que o usuário realize atividades com movimentos sutis das mãos, sem precisar tocar nos óculos ou pegar o celular.

Com estes movimentos, é possível ler textos curtos, fazer videochamadas ao vivo, ter a Meta AI mostrando respostas para perguntas, tirar e visualizar fotos, ver direções a pé em tempo real, alterar a música e o volume e obter legendas e traduções ao vivo de outros idiomas.

Os óculos funcionam durante 6 horas com uma única carga, e o estojo oferece até 30 horas adicionais de bateria. A pulseira tem carga de bateria com duração de 18 horas e é resistente à água.

Preço

Os óculos Meta Ray-Ban Display estarão disponíveis no mercado a partir do dia 30 de setembro pelo preço de US$ 799. Por hora, as vendas estarão limitadas das lojas Best Buy, LensCrafters, Sunglass Hut e Ray-Ban Stores.

A empresa de Mark Zuckerberg irá expandir o mercado de vendas de seus óculos para Canadá, França, Itália e Reino Unido no início de 2026. Ainda não há previsão de lançamento para o Brasil.