Justiça do RJ aprova falência do Grupo Oi

Nesta segunda-feira(10), a gestão de recuperação judicial da empresa decidiu sobre a declaração de falência do Grupo Oi.  Essa decisão marca o desfecho de um dos maiores processos de recuperação judicial da história do Brasil. A companhia, que já foi considerada “campeã nacional” no setor de telecomunicações, entrou com seu primeiro pedido de recuperação judicial em 2016, enfrentando uma dívida superior a R$60 bilhões.

Logo depois, em 2023, a Oi abriu um segundo processo de recuperação judicial. No primeiro semestre de 2025, seus números ainda refletiam severa fragilidade, com uma dívida líquida de cerca de R$10 bilhões e caixa de aproximadamente R$1,15 bilhões. No segundo trimestre, registrou resultado operacional negativo próximo de R$100 milhões.

Decisão judicial e seus efeitos imediatos

Com a falência confirmada, a Justiça determinou a suspensão de todas as ações e execuções em andamento contra o Grupo Oi. A medida busca preservar o patrimônio da companhia e garantir que o processo de falência siga o curso legal, evitando novas disputas judiciais que possam comprometer a massa falida.

Além disso, foi proibida a realização de qualquer ato de disposição ou oneração de bens pertencentes ao Grupo Oi. Essa restrição impede que ativos da empresa sejam vendidos, transferidos ou usados como garantia sem autorização judicial, assegurando maior controle sobre o patrimônio a ser administrado durante o processo.

Outro ponto definido pela decisão judicial foi o bloqueio dos valores vinculados ao chamado “caixa restrito V.Tal”, até que sejam apresentadas provas que comprovem respaldo contratual e fático dos recebíveis descontados automaticamente. Essa medida visa garantir transparência e evitar movimentações financeiras sem a fundamentação legal.


Falência da Oi (Vídeo: reprodução/YouTube/@SBTNews)

Por fim, a Justiça autorizou a continuação provisória das atividades da Oi, sob a gestão do administrador judicial. Essa determinação caracteriza a chamada “convolação” do processo, que é quando uma recuperação judicial é convertida em falência, permitindo que a empresa siga operando de forma controlada, enquanto se conduz a liquidação de seus bens e a negociação com os credores.

Reação do mercado

O impacto foi imediato nos mercados, as ações ordinárias da Oi recuaram mais de 35% na sessão do dia, enquanto os papéis preferenciais caíram quase 48%. Esse movimento reflete a percepção de que o processo de recuperação chegou ao fim ou ao menos a um novo ciclo radical e traz incertezas quanto ao futuro da empresa, seus credores e o setor de telecomunicações no Brasil.

Importância para o setor e implicações

A falência do Grupo Oi é simbólica para o setor de Telecom no país. Ela demonstra que até grandes empresas, com histórico de liderança, podem sucumbir frente à combinação de endividamento elevado, competição acirrada, necessidade de modernização das redes e eventuais falhas estratégicas.

Para os credores, abre-se um novo capítulo, o ambiente jurídico financeiro de falência difere da recuperação judicial, com outros direitos, precedências e riscos. Para o mercado de telecomunicações, a saída ou reestruturação de uma empresa de grande escala gera oportunidades de consolidação, aquisição de ativos e movimentos regulatórios.

O que vem pela frente

Nas próximas semanas, é provável que ocorra a nomeação formal do administrador da falência, que ficará responsável por gerir os ativos do Grupo Oi e conduzir todo o processo de liquidação. Esse profissional atuará como figura central na reorganização das finanças da empresa, garantindo que as decisões sigam o que determina a Justiça e os interesses dos credores.

Também deve ter início a avaliação detalhada dos bens e operações da companhia, com a possibilidade de venda de ativos de rede, participações societárias e outras operações estratégicas. O objetivo é gerar recursos para o pagamento das dívidas e assegurar que o processo ocorra de maneira ordenada e transparente.

Os credores, por sua vez, deverão ser oficialmente notificados para apresentar seus créditos e participar das etapas do processo de liquidação. Essa fase é essencial para que se estabeleça a lista de credores, seus respectivos valores e a ordem de prioridade no recebimento.

Ao mesmo tempo, os órgãos regulatórios deverão acompanhar de perto o desenrolar da falência, considerando o impacto que o caso tem sobre o setor de telecomunicações. A queda de uma empresa de grande porte como a Oi pode afetar diretamente milhões de usuários, além de gerar repercussões no mercado concorrencial e na infraestrutura nacional de comunicações.

Moraes mantém restrições e descarta prisão de Bolsonaro após “incidente isolado”

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (24) manter as medidas cautelares impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas recusou o pedido de prisão preventiva por entender que houve apenas uma violação “isolada” das restrições estabelecidas. A avaliação segue a defesa apresentada pelos advogados do ex-presidente e o entendimento de que o episódio não configura reiterada conduta de infringência judicial.

A controvérsia começou após Bolsonaro conceder entrevista na Câmara dos Deputados, exibindo sua tornozeleira eletrônica e falando com a imprensa. O conteúdo foi logo republicado em redes sociais, embora ele esteja proibido de usar suas próprias contas, levando Moraes a advertir que isso poderia justificar grave incremento de restrições, inclusive prisão. No entanto, o ministro considerou que o compartilhamento ocorreu de forma pontual e sem coordenação deliberada, não justificando uma medida mais drástica.

Novas medidas cautelares

Moraes destacou que Bolsonaro não enfrenta impedimentos para participar de entrevistas públicas nem de se manifestar em eventos presenciais. A restrição foca na proibição de uso das redes sociais, inclusive o aproveitamento de conteúdos por terceiros com intenção de burlar a medida. O ministro comparou a situação à criação de “milícias digitais”, grupo suspeito de replicar discursos em massa via internet, violando a proibição de veicular mensagens coordenadas pelas redes sociais.


Alexandre de Moraes não decreta prisão de Bolsonaro (Vídeo: Reprodução/Youtube/Metropoles)


O episódio deixou clara a tensão na execução das cautelares: ainda que a entrevista tenha sido pública, sua reprodução por apoiadores do ex-presidente ativou o mecanismo de controle judicial. Moraes advertiu que qualquer nova infração, ainda que indireta, poderá desencadear imediatamente a prisão preventiva.

Repercussão politica e jurídica

A decisão do ministro Alexandre de Moraes intensifica o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a definição legal das medidas judiciais. A vigilância sobre o uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros, soma-se à tornozeleira eletrônica, à proibição de contato com embaixadas e autoridades estrangeiras, e à restrição de circulação noturna.

Por parte da defesa de Bolsonaro, há recurso em curso junto ao STF para revisar o escopo das medidas. Já por via política, aliados do ex-presidente afirmam que a cautelar afeta seu direito de comunicar-se com eleitores e denunciam influência externa na política brasileira. O posicionamento do ministro Moraes evita um aprofundamento imediato da crise, ao mesmo tempo em que reforça a mensagem de que o Judiciário seguirá atento e firme na imposição dos termos definidos pelo tribunal.

Moraes pede que Google informe o responsável pela publicação da “minuta do golpe”

Nesta terça-feira (17), após pedido da defesa de Anderson Torres, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitou que a Google Brasil detalhe os dados do responsável pela inserção da “minuta do golpe” em seu site.

Torres se defende

Na última segunda-feira (16), foi encerrado o prazo para que os cinco réus, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentassem os requerimentos e diligências complementares para as suas respectivas defesas.

O pedido foi feito pela defesa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, que também foi ex-secretário de segurança pública. A alegação de seus advogados é de que se faz necessário uma investigação para comprovar se a minuta que foi encontrada na residência de Torres e a que estava no site da Google são as mesmas, fazendo com que ele seja, ou não, responsável pela divulgação do documento.

De acordo com os advogados de defesa, uma vez que a “minuta do golpe” circula até os dias atuais na internet, o documento não possui valor jurídico para os órgãos de persecução penal.

A defesa do ex-ministro da Justiça também solicitou uma perícia para investigar os elementos presentes na fala de Torres em uma live realizada em 2021, quando foram apresentadas as possíveis falhas nas urnas eletrônicas, que tinha como objetivo adotar o voto impresso.


Anderson Torres durante uma sessão do STF que julga a participação dos acusados ​​na tentativa de golpe de Estado (Reprodução/Evaristo Sa/AFP/Getty Images Embed)

Quem é Anderson Torres

Por determinação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, Anderson Torres foi preso em janeiro de 2023. Quatro meses mais tarde foi solto, passando a utilizar tornozeleira eletrônica para fins de monitoramento.

Torres é considerado um “braço direito” do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-ministro fazia parte do núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado. O grupo em questão é acusado de praticar crimes, como organização criminosa, dano qualificado, e deterioração de patrimônio tombado.

Segundo a PGR, Anderson Torres também elaborou a chamada “minuta do golpe”, documento que seria usado no golpe de Estado. Em contrapartida, sua defesa alega que o texto que circula no Google não é o mesmo que foi encontrado na residência do ex-ministro da justiça.

Google processa Latam nos EUA para impedir remoção global de vídeo polêmico do YouTube

O Google, empresa controladora do YouTube e pertencente ao conglomerado Alphabet, entrou com um processo contra a Latam Airlines na Justiça Federal dos Estados Unidos. A ação, protocolada nesta quinta-feira (13) em San Jose, na Califórnia, visa impedir que decisões judiciais brasileiras determinem a remoção global de um vídeo hospedado na plataforma.

O conteúdo em questão foi publicado por Raymond Moreira, cidadão norte-americano residente na Flórida, que em 2018 compartilhou dois vídeos nos quais seu filho, de apenas 6 anos à época, relata ter sido vítima de abuso sexual por parte de um funcionário da Latam durante um voo em que viajava desacompanhado. O caso resultou em um processo contra a companhia aérea nos EUA, encerrado por meio de um acordo confidencial em 2020.

Latam solicita na justiça a remoção do conteúdo

A disputa, agora, gira em torno da permanência do vídeo no ar. A Latam ingressou com ação na Justiça brasileira solicitando a remoção do conteúdo, alegando violação de direitos. Em resposta, o Google alega que a companhia estaria tentando “driblar” as proteções à liberdade de expressão garantidas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos ao recorrer aos tribunais brasileiros para forçar a retirada do vídeo do ar em escala global.

“A Latam não recebeu qualquer notificação formal sobre o processo nos Estados Unidos”, declarou a companhia, sediada no Chile, em nota à agência Reuters.

Já o Google sustenta que decisões judiciais de um país não devem extrapolar suas fronteiras.

“Há muito tempo defendemos o princípio legal de que os tribunais nacionais têm jurisdição sobre o conteúdo em seu território, mas não sobre aquilo que deve estar disponível em outras partes do mundo”, afirmou José Castaneda, porta-voz da empresa.


Latam recorreu à Justiça Brasileira para a remoção de vídeo (Imagem: reprodução/MARTIN BERNETTI/AFP/Getty Images Embed)

Parecer do STJ do Brasil

O caso deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil está prestes a avaliar se possui competência para exigir que o Google remova o vídeo internacionalmente. A decisão poderá ter repercussões importantes sobre a atuação de plataformas digitais em território brasileiro e sobre os limites legais de atuação entre diferentes jurisdições.