Michelle Bolsonaro se pronuncia em rede social após prisão de Jair Bolsonaro

Na manhã deste sábado (22), o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi detido pela Polícia Federal por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao longo do dia, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou seu perfil no Instagram para compartilhar versículos bíblicos em resposta à prisão do marido, gerando repercussão.

Pronunciamento com referências bíblicas

Em seu post, Michelle deixou duas passagens da Bíblia que reforçam sua fé e parecem fazer referência direta ao momento de apreensão. Um dos trechos usados por ela foi o Salmo 121: “Levarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro”.

Ela também citou: “Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará” .Nas redes sociais, muitos interpretaram essas frases como uma forma de protesto ou crítica velada à decisão do STF, ainda que a mensagem tenha sido transmitida de forma espiritual e pessoal.

Prisão de Jair Bolsonaro

A prisão de Bolsonaro ocorreu preventivamente, segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal cumpriu o mandado na manhã de sábado, e a defesa do ex-presidente afirma que a detenção deve ser reavaliada pelo STF.



Foi marcada uma sessão da Primeira Turma do Supremo para segunda-feira (24), das 8h às 20h, para decidir se a prisão preventiva será mantida. De acordo com a PF, a medida não está relacionada à condenação anterior de Bolsonaro por tentativa de golpe, pela qual ele cumpre prisão domiciliar, mas se justifica por risco à ordem pública.

Repercussão política e social

A reação de Michelle Bolsonaro reacende a atenção sobre a gravidade do episódio e a dimensão simbólica da prisão. As citações bíblicas reforçam a narrativa de fé e resistência pessoal — temas que têm forte apelo entre o público conservador. Ao mesmo tempo, a detenção de um ex-presidente continua gerando debates sobre poder, Justiça e os limites da responsabilização política no Brasil.

Matéria por Eduardo Hasbani

STF inicia julgamento de Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta semana a análise da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete integrantes do seu governo. Todos são acusados de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2022, que teria ameaçado o funcionamento do Estado Democrático de Direito.

Processo detalhado

O processo resulta de um levantamento minucioso da PGR, que compilou mais de 500 páginas detalhando a conduta de cada investigado. Somente a seção dedicada às ações de Bolsonaro ocupa 137 páginas, assinadas pelo procurador-geral Paulo Gustavo Gonet Branco. Entre os crimes apontados estão: dano qualificado por violência ou ameaça, tentativa de destruir ilegalmente a democracia, organização criminosa armada, deterioração de patrimônio público e golpe de Estado, com penas que podem variar de um a 17 anos de prisão, dependendo do enquadramento.


Julgamento de Bolsonaro e aliados no STF: veja o que esperar (Vídeo: reprodução/YouTube/MetrópolesTV)

Segundo a PGR, Bolsonaro atuou como líder do grupo, utilizando-se do cargo de presidente da República para difundir desconfiança sobre as urnas eletrônicas e instituições públicas. A denúncia destaca o uso de recursos estatais, transmissões oficiais e eventos públicos para dar respaldo a um discurso que questionava a integridade do sistema eleitoral, incluindo a utilização irregular de estruturas de inteligência, conhecida como “Abin paralela”.

Documentos

Documentos apreendidos indicam que a estratégia incluía repetir críticas ao sistema de votação e criar um ambiente de contestação caso os resultados fossem desfavoráveis. A denúncia cita ainda falas de Bolsonaro em 7 de setembro de 2021, em Brasília e São Paulo, interpretadas como ataques coordenados ao Judiciário e ao processo eleitoral.

Na fase de interrogatório, realizada em junho, Bolsonaro negou qualquer intenção de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva e classificou a denúncia como injusta. O julgamento seguirá a ordem de votação determinada pelo STF: Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Matéria por Natasha Ferreira