Warren Buffett acelera doações e redefine o próprio legado

Aos 95 anos, Warren Buffett começa a colocar em prática um dos capítulos mais pessoais e simbólicos de sua trajetória: distribuir, em vida, a fortuna que levou mais de oito décadas para construir. O “Oráculo de Omaha”, como é conhecido no mundo financeiro, anunciou que pretende acelerar as doações de sua riqueza, estimada em cerca de US$ 149 bilhões, e destinar valores maiores às fundações de seus três filhos.

Um gesto planejado, não improvisado

Buffett nunca escondeu que não pretendia deixar sua fortuna integralmente como herança. Desde os anos 2000, ele repete a frase que se tornou sua filosofia familiar: “Deixe para seus filhos dinheiro suficiente para que possam fazer qualquer coisa, mas não tanto a ponto de não precisarem fazer nada.”

Agora, esse princípio ganha forma prática. As fundações criadas por seus filhos, a Sherwood Foundation, de Susan; a Howard G. Buffett Foundation, de Howard; e a NoVo Foundation, de Peter, passam a ser o canal preferencial das novas doações. O investidor quer garantir que seus herdeiros tenham tempo e autonomia para conduzir os recursos conforme seus próprios valores.

A filantropia como sucessão

O movimento de Buffett vai muito além da caridade: é também uma forma de planejamento sucessório ético. Em vez de transferir apenas riqueza, ele transfere responsabilidade.


Acionista Warren Buffet em recente aparição (Foto: reprodução/x/@smtgpt)


Enquanto muitos bilionários se preocupam em proteger patrimônio, Buffett parece mais interessado em libertá-lo. “Ele entende que o capital deve circular, e que o verdadeiro legado está na utilidade que o dinheiro tem, não no tamanho da conta”, comenta a economista e especialista em governança corporativa Marisa Oliveira.

Berkshire Hathaway em transição

A decisão de acelerar as doações coincide com o início de uma nova fase na Berkshire Hathaway, conglomerado que Buffett transformou em uma das empresas mais poderosas do planeta. O investidor vem gradualmente se afastando da rotina executiva, preparando Greg Abel para assumir o comando definitivo.

Essa movimentação, segundo analistas, reforça a transição geracional não só na empresa, mas também na filosofia de vida do bilionário. “Buffett sempre foi um símbolo do capitalismo racional e paciente. Agora, ele se torna símbolo de uma filantropia planejada, igualmente racional, mas voltada para o impacto social”, avalia o economista e consultor financeiro André Barreto.

De acumulador a doador

Buffett já doou mais de US$ 50 bilhões ao longo das últimas décadas, principalmente à Fundação Bill & Melinda Gates. No entanto, ao priorizar agora as instituições ligadas aos filhos, ele dá um passo mais pessoal, uma espécie de reconciliação entre o império financeiro que construiu e a herança familiar que deseja deixar.

O investidor parece consciente de que cada cheque assinado é também um símbolo de tempo. Ao acelerar as doações, ele não apenas move recursos, ele move o relógio da própria história.

O futuro do legado Buffett

A nova etapa de doações deve redesenhar o mapa da filantropia americana nas próximas décadas. As três fundações familiares têm focos diferentes, educação, combate à pobreza e desenvolvimento sustentável, e devem ganhar escala com os novos aportes.

Mas o que mais chama atenção é o tom sereno e calculado de Buffett. Ele não age por impulso, nem por vaidade tardia. Age por coerência: cumpre, até o fim, a lógica que sempre o guiou — a de que o valor real das coisas está no longo prazo.

Mais que dinheiro um exemplo

Ao acelerar as doações, Buffett oferece algo que vai além de cifras: um roteiro de como usar poder econômico com propósito. Sua atitude desafia o imaginário do “bilionário intocável” e reforça a ideia de que o sucesso financeiro pode, e deve, ser devolvido à sociedade.

No fim, talvez seja isso que Buffett sempre quis provar: que o maior investimento de uma vida é aquele que continua rendendo frutos depois que o lucro deixa de importar.

Influencer é desmascarado: Nego Di confessou doação falsa para ganhar visibilidade

O influenciador e humorista Nego Di, ex-participante do Big Brother Brasil, admitiu publicamente ter mentido ao afirmar que doou R$ 1 milhão às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, ele confessou que, na verdade, fez apenas uma transferência de R$ 100 para a campanha organizada por um colega comediante, o Badin, o Colono. A revelação ocorre em meio a uma investigação do Ministério Público, que apontou inconsistências entre o que foi divulgado nas redes sociais e os dados bancários reais.

Doação de Apenas R$ 100

Em abril, Nego Di publicou um vídeo emocionado nas redes sociais, dizendo que havia feito a doação milionária como um gesto de solidariedade, diante da tragédia climática que atingiu seu estado natal. O influenciador chegou a divulgar um comprovante da transação, que agora é investigado por suspeita de falsificação. A quebra do sigilo bancário revelou que a única quantia enviada por ele à campanha foi de R$ 100.


Entrevista de Nego Di ao programa Domingo Espetacular (Foto: reprodução/instagram/@domingoespetacular)

O caso se soma a outras acusações que envolvem o humorista, que ficou preso preventivamente em Canoas, no Rio Grande do Sul. Nego Di responde a investigações por estelionato, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos, relacionados a rifas virtuais e à sua loja “Tadizuera”. O Ministério Público afirma que há indícios de golpes praticados contra milhares de pessoas, o que motivou sua prisão por tempo indeterminado para evitar a continuação das fraudes.

A confissão sobre a falsa doação causou grande repercussão negativa, abalando ainda mais a imagem pública do influenciador. O gesto de mentir sobre um ato de solidariedade em meio a uma catástrofe humanitária foi duramente criticado por internautas e especialistas, que alertam para os danos causados à credibilidade de campanhas sérias e à confiança do público nas redes sociais.

Solidariedade como Espetáculo

O caso de Nego Di expõe os riscos da espetacularização da solidariedade e levanta o debate sobre a responsabilidade de figuras públicas no uso de sua influência, especialmente em momentos de crise. Além das possíveis sanções judiciais, o humorista agora enfrenta o descrédito popular e o impacto de suas próprias escolhas em sua trajetória profissional.