Incêndio mortal atinge arranha-céus em Hong Kong

Fogo em conjunto de torres causa dezenas de mortes, desaparecidos e prisão de responsáveis por negligência em obras que aceleraram a propagação das chamas

27 nov, 2025
Incêndio atingiu oito torres | Reprodução/Instagram/@lungram
Incêndio atingiu oito torres | Reprodução/Instagram/@lungram

Uma gigantesca operação de emergência foi acionada em Hong Kong nesta quarta-feira (26) depois que um incêndio de grande magnitude consumiu vários edifícios de um conjunto residencial no distrito de Tai Po. Segundo autoridades locais, 44 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, no episódio considerado o mais letal registrado na região em cerca de 30 anos. Três indivíduos ligados à empresa responsável por obras no local foram detidos sob suspeita de envolvimento no desastre.

Mais de 200 moradores permaneciam desaparecidos até a última atualização, muitos deles impossibilitados de deixar suas casas devido ao avanço das chamas e da fumaça densa. Ao longo do dia, cerca de 800 bombeiros continuavam mobilizados numa tentativa de localizar sobreviventes e controlar focos ainda ativos.

Investigações e suspeitas sobre falhas estruturais

As autoridades afirmam que o fogo se espalhou com extrema rapidez por causa de telas de construção verdes e andaimes de bambu instalados para uma reforma em andamento. De acordo com a polícia, os materiais utilizados não atendiam às normas de segurança contra incêndios, o que teria favorecido o avanço das chamas.

Três profissionais da construtora foram presos sob suspeita de homicídio culposo, uma vez que, segundo a superintendente Eileen Chung, há “fortes indícios de negligência grave” por parte da equipe responsável pela obra. Ela destacou que a falta de controle adequado e o uso de estruturas inadequadas contribuíram diretamente para a tragédia.


Parte do incêndio que atingiu diversas torres residenciais em Hong Kong (Video: reprodução/Instagram/@eddywarman)


O complexo atingido abriga cerca de 4,6 mil moradores distribuídos em aproximadamente 2 mil apartamentos, todos espalhados por oito torres com mais de 30 andares. Pelo menos quatro edifícios continuavam queimando horas após o início do incêndio.

Um bombeiro está entre as vítimas fatais, conforme divulgado pela imprensa britânica. Outros agentes também precisaram de atendimento após enfrentarem temperaturas extremas que dificultaram o acesso aos pavimentos superiores para o resgate.

Mobilização em massa e impacto na cidade

O chamado de emergência foi registrado às 3h51 (horário de Brasília), mobilizando rapidamente centenas de equipes. A gravidade levou o Corpo de Bombeiros a elevar o alerta para nível 5, o máximo previsto no sistema local. Além disso, cerca de 400 policiais reforçaram a operação.

O fogo obrigou o fechamento de trechos da rodovia Tai Po e o desvio de linhas de ônibus. Duas quadras próximas também foram isoladas durante parte do dia.

Incêndios de grande escala não são incomuns em Hong Kong. O último episódio com número semelhante de mortes havia ocorrido em 1996, quando 41 pessoas perderam a vida durante obras internas que resultaram em um incêndio descontrolado, evento que impulsionou mudanças nas regras de construção e prevenção em prédios altos.

O uso tradicional de andaimes de bambu, comum em reformas no território, voltou a ser questionado. Entre 2019 e 2024, 22 trabalhadores morreram em acidentes envolvendo esse tipo de estrutura. Neste ano, ao menos três incêndios relacionados à técnica foram registrados, segundo associações de vítimas.

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