Oposição do São Paulo se movimenta por renúncia de Casares

Conselheiros de grupos opositores ao atual presidente querem saída imediata alegando gestão temerária após vexame no Rio contra o Fluminense

28 nov, 2025
Julio Casares | Reprodução/Instagram/@juliocasares
Julio Casares | Reprodução/Instagram/@juliocasares

Na manhã desta sexta-feira (28), apenas um dia após a goleada por 6 a 0 sofrida pelo São Paulo diante do Fluminense, no Maracanã, conselheiros da oposição iniciaram um abaixo-assinado pedindo a renúncia do presidente Julio Casares.

A oposição possui atualmente 55 conselheiros, enquanto a situação conta com 256. Apesar da diferença, o cenário político vem mudando com frequência a um ano da eleição presidencial. A expectativa é que o movimento não fique restrito à oposição: integrantes da situação — hoje rachada — também devem aderir ao documento.


 Casares vem sendo repetidamente criticado por sua gestão no clube (Foto: reprodução/Ricardo Moreira/Getty Images Embed)


Racha com grupo de Belmonte

O grupo político ligado a Carlos Belmonte, formado por cerca de 40 conselheiros, tende a apoiar o abaixo-assinado. O dirigente, que já vinha em rota de colisão com Casares, deixou de comparecer a algumas partidas — incluindo a derrota histórica para o Fluminense — e pediu demissão do cargo de diretor de futebol nesta sexta-feira.

A goleada, a maior já aplicada pelo Fluminense sobre o São Paulo e que poderia ter sido ainda mais ampla, aprofundou a crise e deu força às articulações contrárias à atual gestão.

Com mais um ano restante de mandato e impedido estatutariamente de buscar reeleição, Casares trabalha nos bastidores para articular sua sucessão, tendo como favorito Marcio Carlomagno, superintendente geral do clube e figura que ganhou espaço recentemente ao lado do departamento de futebol.

Pinotti e Marco Aurélio ganham força na oposição

Do lado oposicionista, outros nomes são debatidos. Vinícius Pinotti (ex-diretor de futebol do São Paulo) surge como possível candidato à presidência, em uma chapa que poderia incluir Marco Aurélio Cunha, considerado por boa parte da oposição como a principal esperança para “resgatar” o clube — hoje afundado em dívidas que ultrapassam R$ 1 bilhão.

Em reunião recente, membros da oposição chegaram a afirmar que o clube “já passou do poço e chegou à fossa”, criticando duramente a atual gestão, que tenta utilizar a venda de jogadores da base como solução emergencial.


Com R$ 4 milhões a receber do clube, ex-diretor volta ao São Paulo como 'consultor especial' - ESPN

Vinicius Pinotti (lado direito0 é considerado principal candidato da oposição (Foto: reprodução/SPFC)


Ambiente financeiro crítico

A crise política se intensifica em meio a um cenário financeiro alarmante. Mesmo após a criação de um fundo destinado a aliviar parte das dívidas, a diretoria solicitou recentemente mais um empréstimo bancário, de R$ 25 milhões — fato que reacendeu críticas internas.

Procurado, Casares ainda não se manifestou sobre o abaixo-assinado. Após a coleta das assinaturas, conselheiros devem encaminhar o documento ao Conselho Deliberativo.

Até agora, não há movimentações oficiais sobre mudanças no departamento de futebol do São Paulo, que vive uma de suas semanas mais turbulentas em muitos anos.

Mais notícias