Inspirado no best-seller homônimo de Thaís Vilarinho, estreia no próximo dia 27/11 “Mãe Fora da Caixa”, o novo filme da atriz Miá Mello, com direção de Manuh Fontes, que traz um recorte do puerpério, período pós-parto, marcado por intensas transformações físicas, hormonais e emocionais para a mulher que acabou de dar à luz. Ao lado de André, vivido por Danton Mello, Manu, personagem de Miá, enfrenta noites sem dormir, culpas e tentativas de reencontro consigo mesma.
Recorte realista e visceral
A oportunidade de dar à luz a um ser é doce e sublime na vida de qualquer mulher, mas também não deixa de ser algo que nasce acompanhado de outros elementos menos agradáveis, que dão aquela pitada de acidez ao momento. Como, por exemplo, o puerpério, estado que acomete as mulheres logo após o parto e é responsável por alterações significativas de humor e ânimo.
Mesmo com inúmeros alertas na internet e redes sociais sobre este estado, feitos por profissionais especializados, o entendimento da mulher acaba acontecendo apenas quando, de fato, é vivenciado. Até então, muito romantismo e ilusões na cabeça da futura mamãe!
- Miá Mello como Manu, sua personagem no filme “Mãe Fora da Caixa” (Foto: reprodução/Stella Carvalho)
- Miá Mello como Manu, sua personagem no filme “Mãe Fora da Caixa” (Foto: reprodução/Stella Carvalho)
Miá Mello que o diga. Mãe de dois, Nina, 15 anos, e Antonio, 7 anos, ela enfrentou um puerpério extremamente difícil e dolorido, em todos os sentidos, de seu filho Antonio. Na época, trabalhava em outro estado e tinha de deixar os filhos, durante a semana, aos cuidados do pai e marido, momento em que se questionava se teria tomado a decisão correta, sempre acompanhada de medo e culpa.
Em entrevista exclusiva ao Lorena R7, Miá afirma que o filme foi um manifesto, em que ela pôde colocar toda sua frustração para fora:
“É um lugar tão visceral…não foi proposital…eu quero ajudar outras mulheres, pelo contrário, eu amaria falar isso. Não foi, foi bem egoísta mesmo. Eu preciso falar sobre isso aqui, botar pra fora e entender o porquê eu to tão frustrada, porque pra mim tá tão difícil o meu segundo puerpério, que todo mundo garantiu que era mais fácil. Eu queria esse lugar de pertencimento que tava me faltando e o “Mãe Fora da Caixa” foi o embrião de uma coisa tão poderosa, é um DNA tão forte, que eu acho que ele tem chão pra fazer muitas outras coisas, mas culmina num filme tão potente.”
A diretora do longa, Manuh Fontes, complementa:
“No filme, ela (se referindo à Miá) estava vivendo essa fase do puerpério, e pra isso, ela teve que abdicar de muitas coisas, ela não usava maquiagem, ela parou de malhar, engordou, totalmente disponível em prol de uma causa”.
Trailer do filme “Mãe Fora da Caixa” (Vídeo: reprodução/YouTube/
Em busca de si mesma
Além do cansaço e exaustão, tem muito amor e alegria, quando, por exemplo, o bebê dá o primeiro sorriso, quando fala “mama” ou “papa”, mas o longa chama atenção mesmo para um momento em que Manu, personagem de Miá, busca por sua nova identidade, que não seja apenas “Mãe”. Manuh Fontes, que também é mãe, ressalta que:
“Quando acontece esse momento, a gente se dá conta de que muitas das transformações estão acontecendo e aí é que tá a beleza da maternidade, a gente entender que existe esse amor, esse momento sagrado, mas que também existe dor, solidão, medo, insegurança, e aí a gente começa tentar descobrir, de novo, quem somos em cada caixa que a gente é colocada.”
E Miá destaca a questão das roupas que, a princípio, parece algo superficial, mas ilustra a transição que a mulher se encontra, após a maternidade:
“E acho que vai desde uma coisa superficial como o nosso próprio guarda-roupa. Na minha maternidade, eu me vi questionando “que roupas eram aquelas?” Eu não quero nunca mais usar essas roupas que eu usei grávida, mas ao mesmo tempo olhava pras minhas roupas antigas e falava “não é aqui, sabe…”. Isso é superficial, mas eu acho que em algum lugar, ilustra um pouco de como que a gente tá se sentindo, a gente nem é mais a mulher de antes, mas também, quem é essa nova mulher? É sobre a gente ter paciência. De repente, você se reencontra talvez até num lugar próximo que você tava ou às vezes num lugar totalmente diferente.”
Elenco entrosado
Fazem parte do elenco Danton Mello, como André, marido de Manu e pai da pequena Nina; Malu Valle, como a mãe de Manu; Xando Graça, como o sogro, com destaque especial, dando aquele toque de comédia, com olhares, caras e bocas completamente impagáveis, Welder Rodrigues, como o porteiro do prédio em que Manu mora, acompanhando sua jornada de confusões, funcionando, em dado momento da história, como um “conselheiro”, incentivando Manu a passear e se distrair com a pequena Nina na pracinha perto do condomínio.
Danton Mello no papel de André (Foto: reprodução/Stella Carvalho)
O filme entrará em cartaz no próximo dia 27 de novembro, em todos os cinemas, mostrando uma nova forma de existir para a mulher — mais caótica, com a rotina de cabeça para baixo – mas também mais autêntica e visceral, mostrando que, sim, é possível enfrentar essa fase e renascer esplêndida dela.
