Na manhã desta sexta-feira (28), apenas um dia após a goleada por 6 a 0 sofrida pelo São Paulo diante do Fluminense, no Maracanã, conselheiros da oposição iniciaram um abaixo-assinado pedindo a renúncia do presidente Julio Casares.
A oposição possui atualmente 55 conselheiros, enquanto a situação conta com 256. Apesar da diferença, o cenário político vem mudando com frequência a um ano da eleição presidencial. A expectativa é que o movimento não fique restrito à oposição: integrantes da situação — hoje rachada — também devem aderir ao documento.
Casares vem sendo repetidamente criticado por sua gestão no clube (Foto: reprodução/Ricardo Moreira/Getty Images Embed)
Racha com grupo de Belmonte
O grupo político ligado a Carlos Belmonte, formado por cerca de 40 conselheiros, tende a apoiar o abaixo-assinado. O dirigente, que já vinha em rota de colisão com Casares, deixou de comparecer a algumas partidas — incluindo a derrota histórica para o Fluminense — e pediu demissão do cargo de diretor de futebol nesta sexta-feira.
A goleada, a maior já aplicada pelo Fluminense sobre o São Paulo e que poderia ter sido ainda mais ampla, aprofundou a crise e deu força às articulações contrárias à atual gestão.
Com mais um ano restante de mandato e impedido estatutariamente de buscar reeleição, Casares trabalha nos bastidores para articular sua sucessão, tendo como favorito Marcio Carlomagno, superintendente geral do clube e figura que ganhou espaço recentemente ao lado do departamento de futebol.
Pinotti e Marco Aurélio ganham força na oposição
Do lado oposicionista, outros nomes são debatidos. Vinícius Pinotti (ex-diretor de futebol do São Paulo) surge como possível candidato à presidência, em uma chapa que poderia incluir Marco Aurélio Cunha, considerado por boa parte da oposição como a principal esperança para “resgatar” o clube — hoje afundado em dívidas que ultrapassam R$ 1 bilhão.
Em reunião recente, membros da oposição chegaram a afirmar que o clube “já passou do poço e chegou à fossa”, criticando duramente a atual gestão, que tenta utilizar a venda de jogadores da base como solução emergencial.
Vinicius Pinotti (lado direito0 é considerado principal candidato da oposição (Foto: reprodução/SPFC)
Ambiente financeiro crítico
A crise política se intensifica em meio a um cenário financeiro alarmante. Mesmo após a criação de um fundo destinado a aliviar parte das dívidas, a diretoria solicitou recentemente mais um empréstimo bancário, de R$ 25 milhões — fato que reacendeu críticas internas.
Procurado, Casares ainda não se manifestou sobre o abaixo-assinado. Após a coleta das assinaturas, conselheiros devem encaminhar o documento ao Conselho Deliberativo.
Até agora, não há movimentações oficiais sobre mudanças no departamento de futebol do São Paulo, que vive uma de suas semanas mais turbulentas em muitos anos.
