Textor aciona cúpula da Eagle e alerta para impacto no Botafogo

Dono da SAF mobiliza diretores internacionais para tentar encerrar a ação do clube social, que pode comprometer as operações financeiras do Botafogo em 2026

28 nov, 2025
John Textor tenta destravar operações | Reprodução/@Instagram/@OL
John Textor tenta destravar operações | Reprodução/@Instagram/@OL

Em meio ao agravamento das tensões internas no Botafogo, John Textor decidiu levar o impasse para o nível internacional. O proprietário da SAF convocou o conselho global da Eagle Football em busca de uma solução institucional para a disputa jurídica que mantém com o presidente do clube social, João Paulo Magalhães Lins. A decisão ocorre após a Justiça determinar que qualquer movimentação financeira da SAF, incluindo negociações de atletas, seja submetida ao crivo do clube social, algo que irritou o empresário norte-americano.

Estrutura da Eagle e pressão interna por solução

A Eagle Football é composta por diferentes camadas societárias. No topo está a empresa-mãe, que reúne Textor e outros investidores. Em seguida vem a Eagle BIDCO, sob controle exclusivo do norte-americano, e abaixo dela a Eagle MIDCO, que reúne conselheiros responsáveis pela governança do grupo. Por normas hierárquicas, decisões da BIDCO devem ser cumpridas pelos integrantes da MIDCO.

Foi a esse grupo que Textor enviou, na noite de quinta-feira, um comunicado exigindo que encontrem meios de encerrar o desgaste jurídico no Brasil. No texto, ele classificou o clube social como “opositor” e avaliou que o monitoramento judicial sobre todas as transações financeiras prejudica a estabilidade do Botafogo.


John Textor Exibe o escudo do Botafogo (Foto: reprodução/Instagram/@botafogo)


Risco no planejamento de 2026 e travas financeiras

A determinação judicial acendeu um alerta sobre o orçamento de 2026. Com a folha salarial reduzida após conflitos entre a Eagle e a Ares, a SAF dependia da venda de jogadores e de antecipações de receitas para manter o fluxo de caixa. Agora, qualquer adiantamento, seja de patrocínios, seja de futuras transferências, também precisará da validação do clube social e da Justiça, algo que, segundo a SAF, pode atrasar a entrada de recursos nos primeiros meses do próximo ano.

Ruptura política e retorno de Montenegro aos bastidores

O distanciamento entre Textor e João Paulo já se consolidou. As comunicações entre SAF e clube social passaram a ser mediadas pelo CEO da SAF, Thairo Arruda. Em meio a isso, uma figura histórica do Botafogo voltou a atuar diretamente nos bastidores: Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente e aliado de João Paulo, além de um dos entusiastas da ação judicial. Apesar de reconhecer as contribuições de Textor ao Botafogo, Montenegro apoiou o ingresso do clube social na Justiça.

Diante desse cenário, Textor acionou os diretores internacionais da Eagle e espera uma solução rápida para evitar que a crise comprometa negociações por reforços e captação de recursos em 2026. Já o clube social defende a intervenção como forma de fiscalizar a atuação da SAF, consolidando o fim de qualquer clima amistoso entre as partes.

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